
Daniel Vorcaro foi preso em SP
Reprodução/Lide
As mensagens extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, trouxeram novos elementos para as investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre suspeitas de fraude financeira envolvendo a instituição. O conteúdo analisado pelos investigadores revela conversas que indicam encontros com autoridades dos três Poderes e amplia a repercussão do caso no meio político.
O material foi obtido após a quebra de sigilo do aparelho de Vorcaro, que voltou a ser preso em uma nova fase da operação. As mensagens incluem diálogos com a namorada, a modelo Marta Graef, residente nos Estados Unidos, nos quais o empresário menciona reuniões e encontros com autoridades.
Em um dos trechos, datado de 20 de março do ano passado, Vorcaro afirma estar reunido com o então senador Ciro Nogueira e com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para conversar com “Alexandre”, referência interpretada pelos investigadores como sendo o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Outras mensagens indicam encontros com o magistrado em momentos diferentes. Em abril, por exemplo, Vorcaro escreve que estava indo encontrar Moraes em Campos do Jordão, onde o ministro passava o feriado. Já em maio, o empresário menciona que estava em casa com Ciro Nogueira e o ministro do Supremo.
Citações a encontros com autoridades
As conversas também mencionam um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em diálogo ocorrido em dezembro de 2024, Vorcaro relata à namorada que havia participado de uma reunião com o presidente da República, além do presidente do Banco Central e três ministros.
Nas mensagens, o empresário descreve o encontro como “ótimo” e afirma que o presidente do Banco Central teria sido chamado para participar da reunião, embora o conteúdo da conversa não esclareça o objetivo do encontro.
As citações ao senador Ciro Nogueira aparecem diversas vezes no material analisado. A assessoria do parlamentar divulgou nota afirmando que ele mantém contato com diversas pessoas diariamente e que a simples menção em conversas não caracteriza relação próxima ou irregular.
Relações com figuras públicas
Outro material que circula entre os investigadores mostra registros de um evento do grupo LIDE realizado em Nova York, patrocinado pelo Banco Master. Documentos indicam a presença de diversas autoridades e empresários em mesas organizadas durante o encontro.
Entre os nomes citados estão ministros do Supremo Tribunal Federal e lideranças políticas, além do próprio Vorcaro, que aparece como anfitrião de uma das mesas.
As investigações também alcançaram o advogado Nelson Tanure, apontado como possível sócio oculto do Banco Master. Ele foi alvo de mandados de busca e apreensão e teve bens e equipamentos recolhidos pela Polícia Federal. Em mensagens analisadas, o advogado aparece exibindo um relógio de alto valor que, segundo ele, teria sido um presente de aniversário dado por Vorcaro.
Pressão por CPI no Congresso
O vazamento das mensagens provocou forte repercussão em Brasília. Parlamentares voltaram a pressionar pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso do Banco Master.
Embora já exista número suficiente de assinaturas para a criação de uma CPI, a instalação ainda depende da decisão das presidências da Câmara e do Senado. Nos bastidores, há avaliação de que a comissão poderia ampliar o impacto político das investigações.
Mesmo sem uma CPI específica, outras comissões do Congresso já passaram a tratar do caso. A Comissão de Assuntos Econômicos criou um grupo de trabalho para acompanhar as apurações e havia previsão de convocação de Vorcaro para prestar depoimento antes de sua nova prisão.
Além disso, a CPI do Crime Organizado e a comissão que investiga fraudes em empréstimos consignados ligados ao INSS também passaram a analisar documentos relacionados ao Banco Master.
Possibilidade de delação premiada
Nos bastidores da investigação, cresce a expectativa de que Daniel Vorcaro possa negociar um acordo de colaboração premiada. A hipótese já havia sido cogitada durante uma prisão anterior do empresário, que durou cerca de 11 dias, mas voltou a ganhar força após os novos desdobramentos do caso.
Investigadores avaliam que uma eventual delação poderia revelar detalhes sobre a extensão das relações do empresário com autoridades e agentes públicos, além de esclarecer o funcionamento do suposto esquema financeiro sob investigação.
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