
Presidente Lula
Ricardo Stuckert / PR
Às vésperas da entrada em vigor do tarifaço dos Estados Unidos contra exportações brasileiras, o jornalista Cláudio Humberto acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de inviabilizar qualquer possibilidade de negociação com o governo americano. Segundo ele, o discurso inflamado de Lula contrasta com a ausência de iniciativas diplomáticas concretas por parte do governo brasileiro.
“O presidente Lula se comporta de maneira diferente da que fala. Ele diz querer negociar, mas inviabiliza a conversa ao atacar diretamente o governo dos Estados Unidos”, afirmou o comentarista no Jornal Gente. Para Humberto, o próprio Itamaraty foi orientado a não agir. “Os diplomatas me relataram, constrangidos, que receberam instrução clara para não mexer nisso”, revelou.
As tarifas americanas podem chegar a 50%, o que tornaria inviável a competitividade de diversos produtos brasileiros no mercado dos Estados Unidos. Mesmo com o prazo para implementação se encerrando em 1º de agosto, não houve, segundo Humberto, qualquer tentativa real de articulação do governo federal. “Trump mandou cartas para 100 países com percentuais variados. O Brasil recebeu a tarifa mais alta por causa do grau de irritação com o governo brasileiro”, disse.
Humberto também criticou a ausência do chanceler brasileiro no momento crucial. Após o recebimento da carta dos EUA, em 9 de julho, o ministro das Relações Exteriores deixou o país para viagens à Croácia, Irlanda e tentativas frustradas de agenda em Cabo Verde, retornando somente em 17 de julho. “Os adultos não puderam entrar na sala”, ironizou Pedro Campos, durante o programa.
Apesar do gesto do vice-presidente Geraldo Alckmin, que conversou com o secretário de Comércio dos EUA, a negociação efetiva não avançou. “Alckmin foi recebido por alguns instantes. No fim, ouviu que quem decide é Trump”, relatou Humberto. Paralelamente, a Casa Branca ofereceu tarifa zero a empresas brasileiras que quiserem se instalar nos Estados Unidos — movimento interpretado como tentativa de atrair indústrias e enfraquecer a produção nacional.
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