
Dólar
Reprodução/Agência Brasil
O conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos já provoca reflexos no mercado financeiro global e pode afetar diretamente o bolso do consumidor brasileiro. A alta do petróleo, a oscilação do dólar e a incerteza sobre os juros estão no centro das atenções.
O barril do tipo Brent, referência internacional, opera com alta de 5,94% nesta segunda-feira, cotado a US$ 77,20, após ter se aproximado dos US$ 80 no início do dia. O gás natural também registra elevação de 2,52%. Especialistas apontam que cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Hormuz, rota estratégica na região do Golfo.
Desde o início da escalada, há relatos de fechamento do estreito por parte da Guarda Revolucionária iraniana, com ameaças de ataques a embarcações. Embora não haja bloqueio formal confirmado, navios petroleiros aguardam autorização ou condições de segurança para atravessar a área, o que pressiona os preços.
No Brasil, o impacto inicial é moderado. O Ibovespa registra queda de 0,20%, enquanto o dólar sobe 0,96%, cotado a R$ 5,18, após máxima de R$ 5,21. O índice Dow Jones, nos Estados Unidos, apresenta recuo de 0,10%.
Apesar da reação contida no primeiro momento, analistas alertam que a duração do conflito pode ampliar os efeitos. Caso o barril se aproxime dos US$ 100, há risco de alta nos combustíveis, com reflexo no frete e nos alimentos, já que o transporte rodoviário predomina na logística brasileira.
O cenário também pode influenciar a política monetária. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tem reunião marcada para o dia 17, e havia sinalização de possível redução da taxa básica de juros. A instabilidade externa pode levar a revisão dessa tendência.
Na aviação, o Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos registrou 12 voos cancelados apenas nesta segunda-feira, sendo seis chegadas e seis partidas, principalmente das companhias Emirates e Qatar Airways. Voos que já estavam em rota para o Brasil retornaram aos aeroportos de origem.
O espaço aéreo em partes do Oriente Médio segue sob restrições, após ataques que atingiram inclusive áreas próximas ao aeroporto de Dubai.
O mercado acompanha a evolução da crise, enquanto investidores avaliam riscos e a possibilidade de prolongamento da ofensiva, que pode se estender por semanas.
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