Rádio Bandeirantes Logo
Rádio Bandeirantes

Daniel Vorcaro é transferido para a Superintendência da PF em Brasília

Movimentações no STF, uma nova defesa agressiva e investigações no Congresso marcam os desdobramentos do caso envolvendo o dono do Banco Master.

Por Redação
REDAÇÃO

20/03/2026 • 08:30 • Atualizado em 20/03/2026 • 08:30

Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro

Reprodução

A transferência do banqueiro Daniel Vorcaro da Penitenciária Federal de Segurança Máxima para uma sala de Estado-Maior na superintendência da Polícia Federal em Brasília marca um ponto de inflexão na investigação que o envolve. A medida, determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi um passo decisivo para a formalização de um acordo de delação premiada que já provoca amplas repercussões nos cenários político e jurídico da capital federal.

Compartilhar

A defesa do banqueiro, recentemente assumida pelo advogado José Luiz Oliveira Lima, conhecido pela atuação em acordos na Operação Lava Jato, argumentou que a permanência na PF facilitaria as rodadas de conversas necessárias para o avanço da colaboração. A expectativa é que o acordo com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal seja selado nos próximos 15 dias. O primeiro encontro entre Vorcaro e seus advogados nas novas instalações foi solicitado para ocorrer de imediato, embora a defesa acredite que a autorização do ministro Mendonça seja concedida apenas para a semana seguinte.

Paralelamente, o caso reverbera no Congresso Nacional. Na CPMI do INSS, o presidente da comissão, senador Carlos Viana, solicitou ao STF que identifique o usuário de uma linha telefônica da corte que manteve contato com Daniel Vorcaro, cujo sigilo telefônico foi quebrado. O colegiado também aprovou convites para ouvir o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o atual diretor, Gabriel Galípolo, sobre fraudes relacionadas ao Banco Master.

As investigações também se voltaram para o próprio presidente da CPMI. O ministro Flávio Dino determinou que o senador Carlos Viana preste esclarecimentos sobre o repasse de R$ 3,5 milhões em emendas parlamentares para a Igreja Batista da Lagoinha, onde Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, atuava como pastor. O senador afirma que os recursos foram destinados a projetos de auxílio a dependentes químicos.

O Supremo Tribunal Federal é outro palco central das tensões. Em uma decisão individual, o ministro Gilmar Mendes suspendeu a quebra de sigilo do fundo Arlim, que havia sido determinada pela CPI do Crime Organizado. O fundo, ligado ao Banco Master, realizou um negócio de mais de R$ 3 milhões com a empresa Maridil, que tem o ministro Dias Toffoli como sócio. O fundo Arlim, por sua vez, recebeu quase R$ 20 milhões de outro fundo cujo único cotista é Fabiano Zettel. Toffoli nega ter se beneficiado de valores do banqueiro e deixou a relatoria do inquérito sobre o Banco Master após o caso vir a público. Ao suspender a quebra de sigilo, Gilmar Mendes alegou "inconstitucionalidade e ilegalidade" por parte da CPI, em uma decisão que aumenta a colisão entre o Judiciário e o Legislativo.

Tópicos relacionados