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Endividamento atinge 80% das famílias brasileiras com alta da inflação

Conflito externo eleva preços de alimentos e combustíveis, enquanto economista aponta para fatores culturais que agravam o cenário de dívidas no país.

Por Redação
REDAÇÃO

13/04/2026 • 10:39 • Atualizado em 13/04/2026 • 10:39

Dívidas

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Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Um levantamento recente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) acendeu um forte alerta sobre a saúde financeira da população: mais de 80% dos lares brasileiros estão atualmente com algum tipo de dívida, seja no cartão de crédito, em financiamentos, empréstimos pessoais ou carnês. Este cenário de sufoco financeiro ocorre em um momento de aceleração inflacionária, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrando uma alta de 0,88% em março.

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A pressão sobre os preços reflete, em grande parte, as consequências da escalada de tensões no Oriente Médio. O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã impactou diretamente os preços de commodities globais, resultando em um reajuste significativo nos valores de alimentos e, principalmente, dos combustíveis. O preço do barril de petróleo, que antes orbitava os 80 dólares, saltou para patamares acima de 110 dólares, um custo que inevitavelmente chega às bombas e à mesa do consumidor.

Segundo Carla Beni, economista e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a complexidade do quadro é acentuada pela instabilidade política nos Estados Unidos. "Os devaneios de Trump, eles são precificados pelo mercado", afirma a economista, destacando que a imprevisibilidade do presidente americano provoca forte volatilidade e incerteza.

Contudo, a crise externa não é a única vilã. A professora Carla Beni aponta que o alto nível de endividamento também está enraizado em características culturais da população brasileira. "Nós temos uma característica da população brasileira que ela afirma nas pesquisas que 80% da população afirma que dinheiro foi feito para gastar", explica. Esse comportamento, segundo ela, é amplificado pelo ambiente digital, onde o consumo é incentivado a todo instante por algoritmos, QR Codes e links de "arrasta para cima".

Essa mentalidade se soma a um hábito arraigado de depender do crédito para adquirir bens. "Ficou muito arraigado de que se você não dividir, você não consegue ter nada. A gente precisa mudar essa forma de pensar seriamente", conclui a economista.

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