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Entenda o que reserva de lítio da Bolívia têm a ver com pressão política no país

Com uma das maiores reservas do metal do mundo, nação sofre pressão externa para privatizar minas

Por Redação
REDAÇÃO

27/06/2024 • 12:19 • Atualizado em 27/06/2024 • 12:19

Tentativa de golpe de Estado na Bolívia

Tentativa de golpe de Estado na Bolívia

REUTERS/Claudia Morales

A democracia na Bolívia ficou por um fio após uma tentativa de golpe de Estado nesta quarta-feira (26).

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O motim foi liderado pelo general Juan José Zuñiga, que até dois dias atrás comandava o Exército boliviano.

Segundo Zuñiga, ele estava cumprindo ordens do presidente Luis Arce, que teria arquitetado o "teatro golpista" para se fortalecer politicamente.

A alegação levanta questões sobre a veracidade da declaração, já que o plano inevitavelmente levaria à prisão do general.

Um dos fatores que coloca a Bolívia no centro de pressão política internacional é o fato de que o país possui uma das maiores reservas de lítio do mundo.

O metal é essencial para a produção de baterias de carros elétricos e outros dispositivos eletrônicos e, por isso, é tido como "petróleo do futuro".

Evo Morales e nacionalização do lítio

A crise no país envolve a figura do ex-presidente Evo Morales, que busca retornar ao poder nas eleições presidenciais do próximo ano.

Figura central no Movimento ao Socialismo (MAS), partido que governa o país, Morales trouxe estabilidade política inédita à Bolívia, marcada historicamente por sucessivos golpes.

Durante seu governo, houve significativas melhoras econômicas e redistribuição de renda, mas seu desejo de se manter no poder além dos limites constitucionais gerou controvérsias.

As reservas bolivianas fazem parte do Triângulo do Lítio, junto com Argentina e Chile. Recentemente, o país firmou acordos com Rússia e China, que aceitaram as condições de manter o controle estatal das minas, em contraste com a abordagem dos Estados Unidos, que desejava a privatização das reservas.

Esses acordos têm potencial de gerar enormes receitas para a Bolívia, mas também atraem pressões internacionais, especialmente dos EUA, preocupados com a influência de Morales e a orientação nacionalista em relação ao lítio.

Arce x Morales

Luis Arce e Evo Morales, apesar de suas divergências políticas recentes, compartilham a visão de manter as reservas de lítio sob controle estatal e conceder direitos de exploração a grupos estrangeiros, sem privatizá-las.

Morales, o político mais popular do país, enfrenta impedimentos legais para se candidatar novamente, um fator de tensão com o atual presidente, que busca a reeleição.

Interesse dos brasileiros

Desde o início de setembro de 2023, o país não recebia tanto interesse dos brasileiros, de acordo com dados do Google Trends, ferramenta que mede o volume de buscas no site (veja o gráfico abaixo).

Na ocasião, a seleção de futebol boliviana jogou contra o Brasil nas eliminatórias da Copa do Mundo. A previsão do interesse para a última semana de junho é cerca de 25% em comparação com o episódio.