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Brasil

Escala 6x1 gera embate no Congresso e acende alerta no setor de transportes

Enquanto proposta avança em comissões, representantes do setor apontam risco de aumento de custos, inflação e informalidade no mercado de trabalho

2 min

23/04/2026 10:23 • Atualizado há 184 dias

Escala 6x1 gera embate no Congresso e acende alerta no setor de transportes

A proposta de mudança na jornada de trabalho, incluindo o debate sobre o fim da escala 6x1, começa a ganhar tração no Congresso Nacional e já provoca reações intensas entre representantes do setor produtivo. Após passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sem questionamentos sobre sua constitucionalidade, o texto segue agora para análise na Comissão de Assuntos Econômicos, onde o impacto prático da medida deve ser mais amplamente discutido.

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Nos bastidores, há a percepção de que o tema pode avançar rapidamente em ano eleitoral, impulsionado por pressões políticas e apelo popular. Críticos apontam que o ambiente favorece decisões com viés eleitoral, em detrimento de análises técnicas mais aprofundadas.

Do lado do setor de transportes, o alerta é claro: a mudança pode gerar efeitos significativos na operação e nos custos. Segundo estudo encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), o impacto financeiro pode variar entre R$ 11 bilhões e R$ 29 bilhões, dependendo do modelo adotado. A principal preocupação é a necessidade de contratação de um grande número de trabalhadores adicionais — mão de obra que, segundo o setor, não está disponível ou qualificada em quantidade suficiente.

A consequência direta, afirmam especialistas, pode ser a redução da oferta de serviços, com ônibus mais cheios, menor frequência de viagens e possível eliminação de rotas menos rentáveis, especialmente no transporte regional. Em setores com regimes específicos, como o aéreo e o trabalho embarcado, as mudanças exigiriam uma reestruturação completa das escalas.

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Outro ponto levantado é o potencial efeito inflacionário. Como o transporte impacta toda a cadeia produtiva, o aumento de custos tende a ser repassado ao consumidor final, afetando desde bens de consumo até serviços essenciais.

Representantes da CNT também destacam que o debate tem ocorrido de forma limitada. Apesar da participação em audiência pública, entidades afirmam que não houve envolvimento amplo na construção das propostas. Além disso, dados indicam que, embora a Constituição permita jornada de até 44 horas semanais, a média efetiva no Brasil já é de cerca de 38 horas, resultado de negociações coletivas entre empresas e trabalhadores.

A preocupação é que uma mudança constitucional mais rígida reduza a flexibilidade dessas negociações, dificultando ajustes conforme as especificidades de cada setor. Há ainda o risco de aumento da informalidade, caso trabalhadores busquem compensar perdas de renda com atividades extras fora do mercado formal.

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Diante desse cenário, especialistas defendem que o tema seja tratado com cautela, considerando seus possíveis efeitos colaterais sobre emprego, produtividade e custo de vida. O debate deve se intensificar nas próximas etapas de tramitação no Congresso.