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Escalada no Oriente Médio pode beneficiar a Rússia; entenda

Em debate, ex-embaixador e advogado analisam como a expansão do conflito impacta a ordem mundial, as estratégias de China e EUA, e a posição que o Brasil deve adotar.

Por Redação
REDAÇÃO

09/03/2026 • 08:46 • Atualizado em 09/03/2026 • 08:46

Bandeira do Irã em meio a destroços na capital Teerã

Bandeira do Irã em meio a destroços na capital Teerã

Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS.

A crescente escalada militar envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel está ampliando o alcance da guerra no Oriente Médio, com Teerã expandindo seus alvos para bases americanas e países aliados na região do Golfo. Em análise no programa Canal Livre, da Band, o ex-embaixador Rubens Barbosa e o advogado Emanuel Pessoa avaliaram as profundas implicações do conflito, que reforça uma ordem internacional fragmentada e pode gerar consequências econômicas e geopolíticas para potências como China, Rússia e também para o Brasil.

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Para Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington e Londres, a situação atual evidencia a destruição do sistema multilateral. "A ordem internacional, a ordem econômica, a ordem política, ela está totalmente fragmentada, destruída", afirmou, destacando que a defesa do multilateralismo se tornou apenas retórica. Segundo ele, a estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos se baseia em dois pilares: a defesa do seu território — usada como justificativa interna para ações preventivas contra o Irã — e a contenção da China.

Na visão do advogado Emanuel Pessoa, a estratégia iraniana consiste em sobrecarregar militarmente os Estados Unidos e seus aliados. Diante desse cenário, a China se encontra diante de três opções difíceis: entrar em uma guerra direta, o que seria catastrófico; usar sua força econômica, como bloquear a exportação de terras raras para os EUA; ou não fazer nada e administrar os prejuízos, como a perda de investimentos no Irã e a necessidade de comprar petróleo a preços mais altos no mercado internacional.

Enquanto a tensão aumenta, a Rússia surge como uma das grandes beneficiadas. Pessoa destacou que a alta no preço do petróleo, mesmo com as sanções internacionais, favorece Moscou. "Hoje, se tem alguém que vai dormir sorrindo e vai acordar gargalhando, é o Vladimir Putin", comentou. A partir de 85 dólares o barril, o orçamento russo se equilibra, e qualquer valor acima disso se converte em lucro. Se o petróleo chegar a 200 dólares, a Rússia "estará nadando em dinheiro" e, caso o fornecimento pelo Estreito de Hormuz seja interrompido, os países europeus se tornarão ainda mais dependentes do gás e óleo russos.

Em relação ao Brasil, Rubens Barbosa defendeu uma postura de neutralidade e pragmatismo, evitando alinhamentos ideológicos. Ele alertou que a percepção externa é de que o país está tomando partido, o que pode ser prejudicial. "Nós temos que calibrar as nossas reações, mantendo uma posição de equidistância, sem alinhamento automático a ninguém", aconselhou, lembrando que 50% do comércio brasileiro é com a Ásia, enquanto apenas 11% é com os Estados Unidos.