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Blota: EUA apresentam plano de paz para Gaza; Hamas e Israel divergem

O projeto começa com a parada imediata das operações militares em Gaza. Em até 72 horas, todos os reféns mantidos pelo Hamas — mortos ou não — teriam de ser entregues

Por Redação
REDAÇÃO

30/09/2025 • 10:05 • Atualizado em 30/09/2025 • 10:05

Sonia Blota
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Donald Trump discursa em um evento voltado à comunidade judaica dos EUA, em Washington

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Piroschka van de Wouw-Reuters

Depois de horas de conversa na Casa Branca, o presidente americano Donald Trump anunciou, ao lado do premiê israelense Benjamin Netanyahu, uma proposta de plano de paz para Gaza. Agora, a resposta do Hamas é aguardada.

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O plano dos Estados Unidos tem 20 pontos básicos. O projeto começa com a parada imediata das operações militares em Gaza. Em até 72 horas, todos os reféns mantidos pelo Hamas — mortos ou não — teriam de ser entregues. Acredita-se que cerca de 20 ainda estejam vivos.

Com a libertação dos reféns, Israel soltaria 250 moradores de Gaza condenados à prisão perpétua e outros 1.700 palestinos detidos desde o ataque de 7 de outubro de 2023. O plano também prevê o desarmamento e a desmobilização total do Hamas e a entrada imediata de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Nenhum morador seria forçado a deixar o enclave, e os Estados Unidos liderariam um programa de reconstrução, incluindo a retomada da economia local.

Trump propõe ainda a criação de um Conselho de Paz, sob sua liderança, para administrar o processo. Gaza seria governada por um comitê palestino técnico e não político, sem qualquer participação do Hamas. O conselho também incluiria outros chefes de Estado e figuras públicas influentes, como o ex-premiê britânico Tony Blair.

Países do Oriente Médio — como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos — participariam do plano, que prevê ainda a formação de uma força internacional de estabilização para manutenção da paz no enclave.

A proposta deixa aberta a possibilidade de criação de um Estado palestino, dentro da chamada solução de dois Estados. Membros do Hamas que aceitarem a coexistência pacífica com Israel seriam anistiados. Caso haja consenso entre as partes, Israel se comprometeria a não ocupar ou anexar Gaza e a retirar gradualmente suas tropas da região.

Apesar de ter concordado com o anúncio ao lado de Trump, Netanyahu afirmou depois que Israel não aceita a criação de um Estado palestino dentro do plano e que suas forças armadas permanecerão na maior parte de Gaza.

Para o Hamas, a proposta de Trump é vista como um ultimato: se não for aceita, os Estados Unidos apoiarão Netanyahu em ações militares para eliminar o grupo.

O plano, embora ambicioso, enfrenta dificuldades. Muitos dos pontos já foram rejeitados em negociações anteriores. Será de difícil aceitação tanto para o Hamas — que praticamente deixaria de existir como força influente — quanto para Israel.

Enquanto isso, a crise humanitária segue devastadora: mais de 66 mil pessoas já morreram em Gaza, a maioria civis e milhares de crianças. A região tornou-se um cemitério a céu aberto, onde os sobreviventes convivem diariamente com o medo, a fome e a doença.

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