
Lula e Haddad
Adriano Machado/Reuters
O economista e ex-presidente do BNDES e do IBGE, Paulo Rabello de Castro, classificou como uma "armadilha econômica" o projeto de lei enviado pelo governo federal ao Congresso que propõe o fim da escala de trabalho 6x1. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, ele afirmou que a medida é um "adebonzinho eleitoreiro" de um "governo moribundo" que trará consequências terríveis para a economia, como o aumento do desemprego, da informalidade e da pressão inflacionária.
Segundo Rabello de Castro, o governo se mete onde não é chamado, ignorando que as escalas de trabalho já são negociadas entre sindicatos e empregadores para atender às necessidades específicas de cada setor. Ele explicou que, embora a Constituição limite a jornada a 44 horas semanais, muitas atividades, especialmente no comércio e em serviços como transporte e enfermagem, dependem de escalas flexíveis. A proposta do governo, que visa limitar a jornada a 40 horas com dois dias de descanso consecutivos, preferencialmente aos sábados e domingos, seria desastrosa.
"O resultado final é muito simples", alertou o economista, citando um estudo feito para a Confederação Nacional de Transportes (CNT). "Nós vamos ter, ao mesmo tempo, uma pressão para o desemprego. Vamos desempregar inicialmente, se adotada essa escala, pelo menos 5% da folha". Ele argumenta que os empregadores, diante de um custo maior por hora trabalhada, buscarão a rotatividade, dispensando funcionários e recontratando de maneira mais barata ou, cada vez mais, na informalidade. "Na realidade é um desserviço que o governo faz, no sentido de acabar criando uma situação cada vez mais desigual entre trabalhadores formais que continuam ganhando mais para trabalhar menos, versus a maioria que será desempregada para cair na informalidade", pontuou.
Além do desemprego, Rabello de Castro prevê uma queda na produção e um aumento da inflação. "A última coisa que um governo sério pensaria em fazer é aumentar agora o custo da mão de obra para o empregador, porque o desdobramento disso é uma maior pressão inflacionária. Não faz sentido nenhum", criticou.
Principais erros de Lula e estagnação salarial
Questionado sobre os erros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o economista foi enfático: "O principal equívoco do presidente Lula é ter escolhido para ministro da Fazenda uma pessoa que (...) não cuidou de fazer um equilíbrio das contas públicas". Referindo-se a Fernando Haddad, Rabello de Castro afirmou que o ministro ignorou a necessidade de ser severo na administração orçamentária para enfrentar a dívida pública, que gera anualmente "um trilhão de reais de encargos financeiros". Para ele, a principal falha de Lula reside na escolha de seus colaboradores.
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