
Free Flow
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A implementação do sistema de pedágio eletrônico Free Flow na rodovia Raposo Tavares, em São Roque, interior de São Paulo, tem provocado forte impacto financeiro na rotina de moradores e gerado uma onda de reclamações. A mudança no modelo de cobrança fez com que trajetos cotidianos, antes isentos de tarifa, passassem a ser tarifados, elevando significativamente os gastos mensais de famílias da região.
A alteração ocorreu após a desativação da antiga praça de pedágio localizada no quilômetro 46 da rodovia. Em substituição, a concessionária responsável instalou pórticos de cobrança automática no quilômetro 49, cerca de três quilômetros adiante. A mudança atingiu diretamente bairros que ficam em lados opostos da rodovia, obrigando moradores a cruzarem o trecho tarifado para atividades básicas do dia a dia.
Com o novo sistema, cada passagem custa R$ 5,30 por sentido. Isso significa que, em um deslocamento simples de ida e volta — como levar filhos à escola ou ir ao mercado — o valor chega a R$ 10,60. Em casos de uso frequente, o impacto mensal pode ultrapassar R$ 1 mil por veículo.
Relatos de moradores evidenciam a dimensão do problema. Um pai afirma gastar cerca de R$ 20 por dia apenas para levar o filho à escola, o que representa até R$ 600 mensais. Já famílias com mais de um carro relatam despesas que chegam a R$ 2 mil por mês, valor inexistente antes da mudança.
Diante da repercussão, autoridades locais iniciaram tratativas para reverter a situação. Um acordo chegou a ser anunciado prevendo o retorno do sistema de cobrança para o quilômetro 46, onde estava a antiga praça de pedágio. No entanto, meses após o anúncio, a medida ainda não foi implementada, e os moradores seguem sem previsão de mudança.
Outra possibilidade discutida foi a criação de isenção para residentes da região diretamente afetada pelos pórticos. Segundo relatos, moradores chegaram a fornecer dados para cadastro, mas a proposta não avançou.
Além do impacto financeiro, o sistema Free Flow também levanta dúvidas entre motoristas, especialmente para aqueles que não utilizam dispositivos de pagamento automático, como tags. Nesses casos, o próprio condutor deve acessar o site ou aplicativo da concessionária responsável para efetuar o pagamento, com prazo de até 30 dias para evitar multa — período que, em alguns casos, pode ser ampliado.
As concessionárias alertam ainda que não enviam cobranças por e-mail, e mensagens desse tipo devem ser tratadas como tentativa de golpe.
A expansão do Free Flow faz parte de um processo mais amplo de modernização das rodovias paulistas, com autorização da agência reguladora estadual. No entanto, a implantação tem gerado questionamentos, principalmente em regiões urbanas, onde a rodovia funciona como via de circulação local.
O caso de São Roque expõe os desafios de adaptação ao novo modelo e reforça a necessidade de soluções que considerem o impacto direto sobre moradores que dependem diariamente desses trechos.
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