
Lula
Ricardo Stuckert / PR
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem emitido sinais de restrição financeira em suas contas públicas. No período acumulado de 12 meses, a gestão federal registrou despesas que superaram em R$ 140 bilhões o montante total arrecadado pela União.
Esse cenário deficitário ocorre a despeito de a atual administração ter criado ou elevado a alíquota de aproximadamente 30 impostos diferentes. Diante do desequilíbrio fiscal, o Executivo federal determinou o contingenciamento de verbas direcionadas à maioria dos ministérios, de modo que estas pastas governamentais ficaram impedidas de realizar gastos, exceto por despesas previamente autorizadas pela própria presidência.
Contudo, o contingenciamento imposto aos ministérios não se estendeu às dotações voltadas à articulação política e ao relacionamento com o Poder Legislativo. Apenas no decorrer deste ano, com concentração expressiva nas últimas semanas, o governo federal autorizou o pagamento de R$ 18,4 bilhões em emendas parlamentares.
O maior fluxo de distribuição ocorreu de forma concentrada no mês de maio, período que registrou a liberação de R$ 14,1 bilhões do montante total.
A liberação mais expressiva desses recursos públicos coincidiu com a véspera da sabatina no Congresso Nacional de Jorge Messias, atual chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), indicado pelo presidente Lula para ocupar uma cadeira de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Somente nas datas que antecederam a sabatina, a gestão federal liberou R$ 12 bilhões em emendas com o intuito de dirimir eventuais resistências e assegurar a adesão de deputados e senadores.
Do montante geral liberado de R$ 18,4 bilhões, a quantia de R$ 13 bilhões foi classificada como emendas individuais, modelo de repasse que beneficia de forma direta e personalizada a atuação dos parlamentares.
Em tese, as emendas parlamentares oriundas do orçamento da União devem ser aplicadas no financiamento de projetos locais de interesse comunitário nas bases de apoio dos deputados, a exemplo de obras de infraestrutura como a construção de escolas e pontes. Entretanto, as verbas têm sido direcionadas a outras finalidades práticas.
Um caso reportado envolve o deputado federal do Ceará Yuri Bruno, conhecido como Yuri do Paredão. O parlamentar destinou emendas próprias de seu mandato, por intermédio do Ministério do Turismo, para que municípios cearenses contratassem shows do cantor de forró Jonas Esticado.
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