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Irã, tarifas de Trump e a nova disputa global por poder e energia

Especialista aponta interesses estratégicos dos EUA por trás da pressão econômica sobre Teerã e avalia riscos e impactos para o Brasil

Por Redação
REDAÇÃO

13/01/2026 • 09:15 • Atualizado em 13/01/2026 • 09:15

Trump

Trump

Jonathan Ernst/Reuters

A crise política no Irã ganhou novos contornos no cenário internacional após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que países que mantêm relações comerciais com Teerã poderão ser taxados em até 25% em seus negócios com os norte-americanos. A medida amplia a pressão sobre o regime dos aiatolás em meio a protestos populares e denúncias de violações de direitos humanos.

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Em análise no Jornal Gente, o advogado e especialista em direito empresarial Emanuel Pessoa avaliou que a estratégia americana vai além do discurso humanitário. Segundo ele, as tarifas fazem parte de um movimento geopolítico mais amplo, cujo objetivo central é enfraquecer economicamente o Irã e, de forma indireta, atingir a China, principal compradora do petróleo iraniano com preços fortemente descontados devido às sanções.

Hoje, o Irã é um dos maiores fornecedores de petróleo para o mercado chinês, contribuindo para manter baixos os custos de energia no país asiático, fator considerado decisivo na corrida tecnológica e industrial, especialmente no avanço da inteligência artificial. Ao pressionar Teerã, os Estados Unidos buscam elevar o custo energético da China e reduzir sua vantagem competitiva global.

Além do fator econômico, a crise interna iraniana também é alimentada por questões de costumes e direitos civis. Mulheres são obrigadas a seguir regras rígidas de vestimenta, sob punições severas, incluindo prisão e violência física. Para Emanuel Pessoa, há uma diferença clara entre tradições culturais e violações de direitos humanos básicos, o que ajuda a explicar a crescente insatisfação popular no país.

O impacto dessa tensão chega ao Brasil. O Irã é parceiro comercial relevante, principalmente na compra de produtos agrícolas como milho e soja. Com o endurecimento da política americana, o Itamaraty monitora possíveis reflexos nas exportações brasileiras e os riscos de novas barreiras indiretas impostas pelos Estados Unidos, especialmente em um contexto de alinhamento econômico do Brasil com a China.

Segundo o especialista, o mundo vive uma nova Guerra Fria, agora entre Estados Unidos e China, e conflitos como o do Irã não são episódios isolados, mas peças de uma disputa global por poder, energia e influência. Nesse cenário, países emergentes como o Brasil precisam reforçar sua diplomacia econômica para reduzir vulnerabilidades e evitar perdas comerciais em um ambiente cada vez mais instável.