
Itamaraty
Reprodução
O governo brasileiro deve divulgar, nas próximas horas, um comunicado oficial sobre o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro. No momento, o Ministério das Relações Exteriores e o Palácio do Planalto aguardam informações precisas sobre a situação do líder venezuelano — especificamente uma confirmação sobre sua integridade física — antes de oficializar um posicionamento. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre recesso no Rio de Janeiro, foi informado da operação nesta manhã e estuda antecipar seu retorno à capital federal.
Juridicamente, a preocupação central do Itamaraty é a potencial violação do Direito Internacional e da soberania territorial na América do Sul. Fontes diplomáticas indicam que a operação, de magnitude inesperada para o radar da inteligência brasileira, rompe com o princípio de zona de paz defendido pelo Brasil na região. A ausência de um aviso prévio por parte de Washington ao governo brasileiro intensificou o clima de surpresa e cautela no corpo diplomático em Brasília.
A expectativa é que a manifestação brasileira seja crítica à modalidade da operação. O assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, e o chanceler Mauro Vieira — que encurtou suas férias para retornar ao comando da pasta — estão em contato permanente com o presidente. O governo brasileiro busca verificar se a ação resultou em mortes de civis ou brasileiros em Caracas, além de monitorar o destino de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que teriam sido retirados da Venezuela por via aérea.
Uma reunião interministerial de emergência foi convocada para o Palácio do Itamaraty ainda nesta manhã. Além de avaliar a legalidade da incursão americana, o grupo deve discutir os reflexos humanitários e migratórios na fronteira norte do Brasil. Enquanto aliados regionais como a Argentina celebraram a captura, o Brasil mantém a linha de cautela, aguardando dados técnicos para evitar que um pronunciamento precipitado comprometa o papel de mediador que o país historicamente exerce em crises no continente.
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