Resumo
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou nesta quinta-feira (15) o afastamento de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF. Surpreendido com a decisão, o dirigente vai recorrer.
A determinação afasta toda a diretoria da entidade máxima do futebol brasileiro. O atual vice-presidente, Fernando José Sarney, é quem assume o cargo temporariamente, até a eleição e posse de uma nova diretoria.
A decisão é de autoria do desembargador Gabriel de Oliveira Zefiro. A Justiça do Rio também determina que o “vice-presidente, Fernando José Sarney, realize a eleição para os cargos diretivos da CBF, na qualidade de interventor, o mais rápido possível, obedecendo-se os prazos estatutários". Durante este período, Sarney assume as responsabilidades na administração da instituição.
Os pedidos pelo afastamento de Ednaldo Rodrigues foram feitos na semana passada, pela deputada Daniela do Waguinho (União Brasil-RJ) e pelo próprio Fernando Sarney, sob argumento de que foi falsificada a assinatura do Coronel Nunes, ex-presidente da entidade, em acordo assinado do início deste ano. Ednaldo Rodrigues nega.
“Eu me sinto tranquilo, quem faz as coisas corretas não tem o que temer. Respeitar os posicionamentos e acreditar na Justiça", disse Ednaldo.
Certeza absoluta [que o Nunes assinou o documento], porque foi o diretor jurídico da CBF [que colheu a assinatura]. Ele tem total autonomia e respaldo. Na presença de sua esposa, dona Rosa, e sua filha, que também é advogada, o Coronel Nunes assinou com toda a convicção. Isso foi em Belém - Ednaldo Rodrigues.
O acordo em questão foi assinado por cinco dirigentes e encerrou a ação que questionava o processo eleitoral da CBF. Isso, na prática, permitiu a realização da eleição em março deste ano, que manteve Ednaldo na presidência da entidade.
Coronel Nunes, por sua vez, enfrenta problemas de saúde. Segundo a Justiça, “a capacidade mental do Coronel está em dúvida desde 2018, quando foi diagnosticado como portador de câncer no cérebro”.
Há ainda um laudo médico, assinado em 2023 pelo médico Jorge Pagura, da CBF, que atesta “déficit cognitivo” do Coronel Nunes. Por fim, um laudo pericial indica que a assinatura do dirigente no documento não é verdadeira.
Ao mesmo tempo em que anunciava Carlo Ancelotti como novo técnico da seleção brasileira, movimento considerado nos bastidores como uma vitória política de Ednaldo, o dirigente se tornou alvo de três denúncias na Comissão de Ética da CBF por razões distintas: assédio dentro da entidade, gestão temerária e a própria suspeita de fraude no acordo homologado pela Justiça do Rio.
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