
Lula e Hugo Motta
Ricardo Stuckert/PR
Em evento realizado no Rio de Janeiro para celebrar o Dia do Professor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas ao atual Congresso Nacional, classificando-o como o de "mais baixo nível" da história recente. A declaração foi feita na presença do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), aliado do governo, que ficou visivelmente constrangido.
Lula discursava para uma plateia simpática ao PT quando afirmou, olhando diretamente para Hugo Motta: “Esse Congresso nunca teve a qualidade de baixo nível como tem agora.” O presidente prosseguiu direcionando ataques à extrema-direita, mencionando negação da pandemia, rejeição à vacina e incentivo ao uso de medicamentos ineficazes.
Hugo Motta, que havia falado pouco antes e foi vaiado pelo público com gritos de "sem anistia", optou por responder com cautela. Em entrevista posterior, afirmou que as críticas pareciam ser endereçadas à extrema-direita, mas que, se fossem ao Congresso como um todo, discordava veementemente. Motta lembrou que a Câmara aprovou quase todas as propostas enviadas pelo governo em 2025.
A fala presidencial gerou ampla repercussão política. Parlamentares da oposição classificaram as declarações como ofensivas e desrespeitosas ao Legislativo. Já integrantes da base aliada saíram em defesa de Lula, afirmando que a avaliação do presidente reflete a qualidade da atual composição do Congresso.
A postura de Lula surpreendeu setores do meio político que veem no presidente um articulador experiente. Com uma base reduzida — inferior a 100 deputados — e dependente do Centrão para aprovar matérias relevantes, Lula enfrenta dificuldades constantes no Congresso. A crítica pública a uma das Casas Legislativas, ainda mais na presença de seu presidente, levantou questionamentos sobre a estratégia do Palácio do Planalto.
O episódio reforça o ambiente de tensão entre Executivo e Legislativo e levanta dúvidas sobre a capacidade do governo em articular votações fundamentais para seu programa. Com a eleição de 2026 no horizonte e um Congresso pouco receptivo a novos impostos, a relação entre Lula e os parlamentares tende a continuar marcada por embates.
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