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Lula promulga acordo Mercosul-União Europeia em meio a entraves

Decreto marca avanço, mas implementação ainda depende de aval europeu e enfrenta resistências.

Da redação
DA REDAÇÃO

28/04/2026 • 14:43 • Atualizado em 28/04/2026 • 14:43

Mercosul e União Europeia

Mercosul e União Europeia

União Europeia/Mercosul/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina, no Palácio do Planalto, o decreto de promulgação do acordo entre Mercosul e União Europeia, considerado um dos mais amplos tratados comerciais já negociados pelo Brasil. A medida representa um passo formal importante para a entrada em vigor do pacto, inicialmente prevista para o início de maio.

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Apesar do avanço institucional, a implementação imediata do acordo ainda enfrenta obstáculos. A expectativa do governo brasileiro é que alguns países europeus, como Alemanha, Portugal e Espanha, iniciem a aplicação provisória com redução tarifária sobre produtos brasileiros. No entanto, essa etapa depende da aprovação da Comissão Europeia, o que ainda não ocorreu.

Resistência política e entraves jurídicos

O acordo também encontra resistência dentro da Europa, especialmente em países com forte setor agrícola, como a França. Esses governos pressionam por ajustes que protejam seus produtores locais, o que tem contribuído para atrasar o processo.

Além da pressão política, há entraves jurídicos. O texto do acordo está sob análise na Corte Europeia, o que mantém o tratado temporariamente congelado do ponto de vista legal. Esse cenário reforça a incerteza sobre a aplicação prática das medidas já no curto prazo.

Impactos econômicos e comerciais

O acordo envolve um mercado de aproximadamente 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado superior a 22 trilhões de dólares. A redução gradual de tarifas deve beneficiar principalmente o setor agropecuário brasileiro, com maior competitividade na exportação de produtos como carne bovina, aves, milho, café, açúcar, frutas e suco de laranja.

O etanol também aparece como um dos produtos estratégicos, especialmente em um contexto de alta nos combustíveis fósseis, o que pode ampliar a demanda europeia por fontes alternativas de energia.

Do lado brasileiro, consumidores podem ser beneficiados com a redução de preços de produtos importados, como queijos, vinhos, chocolates e itens farmacêuticos.

Projeções e cautelas

Estudos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio apontam que o acordo pode elevar o PIB brasileiro em até 0,34% até 2044, com potencial de injetar cerca de R$ 37 bilhões na economia ao longo desse período.

Apesar das projeções positivas, especialistas destacam a necessidade de monitoramento das chamadas salvaguardas, mecanismos que limitam volumes de exportação. Caso essas cotas sejam atingidas, o acordo pode sofrer suspensões temporárias, gerando impactos comerciais e eventuais tensões diplomáticas.

Expectativa sobre implementação

Para o governo brasileiro, avançar para a fase de implementação já representa uma vitória, ainda que parcial. A efetivação plena do acordo dependerá da superação das resistências políticas e da conclusão das etapas jurídicas na União Europeia.

Enquanto isso, o cenário segue de expectativa, com atenção voltada para as decisões europeias que definirão o ritmo e a abrangência da entrada em vigor do tratado.