
Lula
JEON HEON-KYUN/Pool via REUTERS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que amplia a licença-paternidade no país, elevando progressivamente o período de afastamento dos atuais 5 dias para até 20 dias até 2029.
A mudança será escalonada: a partir de 2027, o benefício sobe para 10 dias, passa a 15 dias no ano seguinte e atinge os 20 dias no fim da implementação. A legislação também cria o chamado salário-paternidade, garantindo ao trabalhador o recebimento integral durante o período de licença.
O projeto foi relatado pelo deputado Pedro Campos e teve autoria da deputada Tabata Amaral, que enfrentou resistência no Congresso ao defender a pauta. Segundo relatos, muitos parlamentares questionavam a utilidade do período ampliado para os pais.
Durante a tramitação, foi definido que o custo da licença será compensado via Instituto Nacional do Seguro Social. Na prática, as empresas continuam pagando o salário do funcionário, mas descontam esse valor das contribuições previdenciárias, reduzindo o impacto financeiro, especialmente para grandes empregadores.
A proposta busca incentivar a participação ativa dos pais nos primeiros dias de vida dos filhos, período considerado essencial para o desenvolvimento da criança e para o apoio à mãe, especialmente durante o puerpério.
Além do aspecto familiar, a medida também tem impacto no mercado de trabalho. Especialistas apontam que a ampliação da licença-paternidade pode ajudar a reduzir desigualdades de gênero, já que a responsabilidade pelos cuidados iniciais deixa de recair exclusivamente sobre as mulheres.
A nova legislação coloca o Brasil em um patamar semelhante ao de países como Canadá, França e Portugal, que já adotam políticas mais amplas de proteção à infância e incentivo à parentalidade compartilhada.
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