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Claudio Humberto: Lula tenta barrar Derrite e aumenta tensão com a Câmara

Presidente ligou em tom de cobrança ao presidente da Câmara e criticou indicação de Derrite como relator do projeto contra crime organizado.

Por Redação
REDAÇÃO

10/11/2025 • 10:03 • Atualizado em 10/11/2025 • 10:03

Cláudio Humberto

A semana começou com tensão entre o Palácio do Planalto e a Câmara dos Deputados, após uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente em exercício da Casa, questionando a escolha de Guilherme Derrite (PL-SP) como relator de projetos que visam endurecer as leis contra o crime organizado.

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A informação foi divulgada pelo jornalista Cláudio Humberto no Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes. Segundo ele, Lula reclamou em tom de bronca da designação de Derrite, atualmente licenciado do cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo, para a função de relator. A reação do presidente foi interpretada como uma tentativa de politizar um tema que, segundo Cláudio, deveria ser tratado com base em critérios técnicos.

Derrite, ex-policial e com trajetória reconhecida na área, pediu afastamento temporário do cargo no governo paulista para se dedicar à relatoria. O próprio presidente da Câmara não se opôs à escolha, destacando informalmente a qualificação do parlamentar. No entanto, Lula teria ignorado o histórico técnico de Derrite e reforçado críticas já feitas anteriormente à composição da Câmara, que o presidente considera de “baixo nível”.

Cláudio lembrou ainda de outro episódio recente em que Lula, diante de uma plateia de aliados, ironizou o Legislativo e causou constrangimento a Hugo Motta, que preferiu não reagir publicamente. “O presidente tenta interferir em um tema interno do Legislativo, em vez de reconhecer a expertise técnica do relator”, observou.

A reação mais contundente veio da oposição. O deputado Sanderson (PL-RS) afirmou que Lula deveria “cuidar de seu governo, que anda mal das pernas”. Já o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) classificou a intervenção como “inaceitável”. Ambos destacaram que o combate ao crime organizado exige responsabilidade e conhecimento técnico, e não interferência política.

Cláudio também comparou os índices de criminalidade nos estados administrados por aliados do governo federal, como a Bahia e o Amapá, cujos números contrastam com os dados mais baixos registrados em São Paulo — justamente onde Derrite atuou como secretário.

A tentativa de Lula de reverter a escolha do relator, segundo parlamentares e analistas, amplia o desgaste da relação do Executivo com o Congresso, evidenciando a fragilidade da base governista, que hoje conta com pouco mais de 100 votos fiéis em um universo de 513 deputados.

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