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Brasil

Moraes abre inquérito contra Flávio e tensão entre STF e Congresso cresce

Senador será investigado por suposta injúria contra Lula; decisão ocorre em meio a embates entre STF e Congresso após CPI

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15/04/2026 11:55 • Atualizado há 192 dias

Moraes abre inquérito contra Flávio e tensão entre STF e Congresso cresce

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de abrir inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) elevou a tensão entre os poderes em Brasília. O parlamentar será investigado por suposta injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após publicações feitas nas redes sociais.

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A medida atende a pedidos da Polícia Federal e do Ministério da Justiça, que apontaram possível atribuição de crimes ao presidente em uma postagem divulgada em janeiro. No conteúdo, Flávio Bolsonaro teria associado Lula ao presidente venezuelano Nicolás Maduro e a práticas como tráfico de drogas e apoio a organizações terroristas.

Na avaliação do ministro Alexandre de Moraes, a publicação pode configurar imputação de fatos criminosos em ambiente público, o que justificaria a abertura da investigação. A Procuradoria-Geral da República classificou as declarações como falsas e ofensivas.

Em resposta, o senador afirmou, por meio de nota, que a decisão é “juridicamente frágil” e representa uma tentativa de cerceamento da liberdade de expressão e do exercício do mandato parlamentar. A defesa sustenta que não houve acusação direta contra Lula, mas apenas referência a fatos atribuídos ao líder venezuelano.

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A Polícia Federal terá prazo de 60 dias para conduzir as diligências iniciais do inquérito.

O episódio ocorre em um momento de forte atrito entre o STF e o Congresso Nacional. A recente rejeição do relatório final da CPI do Crime Organizado aprofundou esse cenário. O documento, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), previa o indiciamento de ministros da Suprema Corte e do procurador-geral da República, o que gerou reação imediata no Judiciário.

O ministro Gilmar Mendes criticou duramente o relatório, classificando a iniciativa como um “erro histórico” e um possível abuso das atribuições da comissão parlamentar. Segundo ele, a proposta extrapola os limites legais das CPIs.

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Por outro lado, o relator da comissão defendeu o conteúdo do documento, afirmando que os indiciamentos representariam uma reafirmação do princípio de que nenhum agente público está acima da lei. Após a rejeição, o senador também acusou o governo de interferência na composição da comissão para garantir o resultado.

Com a rejeição do relatório, a CPI foi encerrada sem encaminhamentos formais ao Ministério Público ou à Polícia Federal, o que limita possíveis desdobramentos judiciais das investigações.

Paralelamente, outra frente de apuração segue em andamento no Congresso. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS deve entregar seu relatório final ao STF, consolidando investigações sobre descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.

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O cenário reforça um ambiente de crescente tensão institucional, com embates entre Judiciário, Legislativo e Executivo em torno de investigações, limites de atuação e responsabilidades entre os poderes.

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