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Reprodução/Agência Brasil
No Bora Brasil desta quarta-feira, Joel Datena e Rodolfo Schneider analisaram os desdobramentos da operação policial no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, considerada a maior da história do estado. A ação, que durou mais de 60 dias de planejamento e envolveu o Ministério Público.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro confirmou 119 mortes.
Rodolfo Schneider classificou a ofensiva como “necessária” diante da estrutura bélica do Comando Vermelho. “É descartar o óbvio dizer que não precisava. Olha o resultado: 113 presos, toneladas de drogas e quase cem fuzis apreendidos. Era um bunker do tráfico”, afirmou.
“O país precisava ocupar o Alemão”, diz Rodolfo Schneider
Schneider avaliou que o Estado deveria ter aproveitado o impacto da operação para manter o controle do território.
“Se esse país fosse sério, depois do que aconteceu, a gente tinha que ocupar o Complexo do Alemão ad eternum. É igual a guerra: só ganha território quem ocupa”, declarou.
O comentarista, no entanto, afirmou não acreditar que a mudança ocorra. “Não acredito porque já vimos isso antes. As promessas se repetem, mas não há plano de longo prazo nem continuidade entre governos”, criticou.
Joel Datena cobra ação coordenada entre forças estaduais e federais
Joel Datena reforçou a necessidade de integração entre as forças de segurança e voltou a defender o uso estratégico das Forças Armadas sem a decretação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
“Não precisa ser 8 ou 80. Dá para usar blindados da Marinha em apoio à PM sem GLO, posicionar militares em vias estratégicas, integrar polícias e inteligência. É comunicação e ajuda”, afirmou.
O apresentador destacou que as Forças Armadas estão “subutilizadas”, enquanto a criminalidade cresce. “Tem milhares de militares parados, com estrutura pesada, enquanto o crime avança. A solução está no nosso quintal”, disse.
CPI da Segurança causa indignação: “Vivem em outro mundo”
Os apresentadores criticaram o anúncio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre a criação de uma CPI do Crime Organizado.
“A população ouve ‘CPI’ e já liga a descrédito. É perder tempo investigando o que todo mundo já sabe. O crime organizado está estruturado e operando à luz do dia”, afirmou Joel Datena.
Schneider reforçou a crítica, dizendo que o Congresso “vive em Nárnia”. “O país clama por mudanças na lei, por endurecimento de penas, e eles lançam CPI. É desconexão total”, disse.
Governo do Rio defende operação e rejeita politização
Em coletiva de imprensa, o governador Cláudio Castro classificou a ação como “um sucesso”, lamentando apenas a morte dos quatro policiais.
“As verdadeiras vítimas foram nossos guerreiros que deram a vida para libertar a população. Quem quiser somar com o Rio é bem-vindo. Ou soma ou suma”, afirmou.
Joel Datena, porém, avaliou que Castro cometeu erros. “Ele não chamou a Polícia Federal nem a Rodoviária Federal, o que seria fundamental. A prefeitura também não foi avisada. Faltou integração”, criticou.
Polícia Federal confirma consulta, mas recusa participação
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, declarou que houve contato prévio da Polícia Militar do Rio para possível apoio, mas que, após análise, a PF optou por não participar da operação.
“Houve uma consulta, mas entendemos que não era razoável participar naquele momento”, disse.
Para Joel Datena, a situação evidencia “bateção de cabeça” entre governos. “Está claro que falta comunicação e comando. O Rio precisa de coordenação, não de disputa política”, concluiu.
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