
Filas do sistema de saúde
Pedro França/Agência Senado
A busca por medicamentos especializados de alto custo tem se transformado em uma jornada de desgaste e indignação para milhares de pacientes na capital paulista. Ouvintes da rádio voltaram a denunciar as longas filas, a superlotação e as condições precárias de acomodação na unidade da Vila Mariana, localizada na Avenida Doutor Altino Arantes, na Zona Sul de São Paulo.
A reportagem acompanhou o drama dos usuários. Mesmo utilizando o aplicativo "Remédio Agora", criado justamente para marcar horários e evitar aglomerações, os cidadãos enfrentam horas de espera em ambientes saturados.
Caos em Dois Andares e Espera de Duas Horas
O relato do usuário Carlos Alberto Lima ilustra o descompasso entre o sistema digital e a realidade do posto de atendimento. Ele agendou a retirada de uma medicação para osteoporose destinada à sua mãe idosa para as 9h07. Ao fazer o check-in no local, às 8h52, descobriu que havia 92 pessoas em sua frente. O processo total, entre a triagem de documentos e a entrega do remédio, consumiu cerca de duas horas.
A estrutura física do prédio também é alvo de duras críticas:
Amontoado Interno: Pacientes relatam que os dois andares da unidade permanecem completamente lotados, forçando idosos e pessoas debilitadas a aguardar de pé nos corredores;
Pólo Regional: O posto da Vila Mariana atende moradores de todas as regiões da capital, de municípios da Grande São Paulo (como Osasco e Itapevi) e até pacientes de outros estados, como Goiás, que viajam em vans em busca de tratamento;
Fila ao Relento: Nos meses de inverno e dias mais frios, a situação se agrava, pois o público costuma se aglomerar do lado de fora do prédio, sem qualquer proteção ou área coberta, horas antes de as portas se abrirem.
Histórico de Desabastecimento e Demanda
Os problemas na unidade são crônicos. Em fiscalizações anteriores, a equipe de jornalismo já havia detectado crises de desabastecimento de remédios essenciais, como o tacrolimus (utilizado por transplantados para evitar a rejeição de órgãos), motivadas por atrasos em repasses tanto do Ministério da Saúde quanto do próprio governo estadual.
O Que Diz o Governo e a Cobrança por Dignidade
Em nota, o governo de São Paulo defendeu a eficiência do serviço, alegando que o fluxo considera tanto a demanda espontânea quanto a agendada, organizada por categorias de senhas que respeitam a Lei Estadual de Atendimento Preferencial. A Secretaria de Estado da Saúde afirmou, ainda, que adota medidas contínuas para aprimorar o sistema e reduzir o tempo de permanência no local.
A bancada do programa cobrou ações imediatas de infraestrutura e humanização no atendimento.
"Se não dá para eliminar a fila de imediato devido à alta demanda, que se melhore ao menos a estrutura de recepção. É preciso criar áreas cobertas, protegidas do frio, e garantir assentos para todos. Oferecer medicamentos de alto custo pelo SUS não é um favor ou uma caridade dos governantes: é a devolução em serviços dos impostos altíssimos pagos pela população", concluiu a apresentadora.
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