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Planato discute crise no Rio e envia comitiva; GLO depende de pedido

Após reunião emergencial, governo federal oferece vagas em presídios, peritos e reforço de inteligência; uso de Forças Armadas segue condicionado ao governador

Por Redação
REDAÇÃO

29/10/2025 • 14:49 • Atualizado em 29/10/2025 • 14:49

Operação

Operação

Reprodução/Agência Brasil

O Bora Brasil acompanha, nesta tarde, a movimentação em Brasília diante da megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que deixa quase 120 mortos. Uma reunião emergencial no Palácio do Planalto, convocada pelo presidente Lula, discute medidas de apoio ao estado. Participam o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e outros integrantes da Esplanada.

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De acordo com o repórter Rodrigo Villela, a comitiva federal decola às 15h de Brasília rumo ao Rio. A previsão é de chegada por volta de 16h30, com agenda direta no Palácio Guanabara. Estão confirmados Lewandowski, Macaé Evaristo, Anielle Franco e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Ministro condiciona uso das Forças Armadas a pedido do governador

Ao deixar a reunião, Lewandowski reforça que não há “bala de prata” para o enfrentamento ao crime organizado e esclarece o caminho legal para eventual emprego das Forças Armadas. Segundo ele, a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) não parte de iniciativa espontânea do governo federal.

“No que diz respeito à garantia da lei e da ordem, primeiro tem que ser requerida formalmente pelo governador. [...] O governador precisa reconhecer a incapacidade das forças locais de enfrentarem esta turbulência”, afirma.

O ministro lista medidas imediatas em curso: oferta de vagas em presídios federais de segurança máxima para a transferência de lideranças de facções, envio de peritos e médicos-legistas — da Força Nacional, da Polícia Federal e de polícias de outros estados — e mobilização de bancos de dados de DNA e balística operados pela PF para identificação dos mortos.

Financiamento não é citado; CPI do crime organizado avança no Senado

Villela relata que, ao menos por ora, não há menção do Ministério da Justiça à reivindicação do governador Cláudio Castro por financiamento federal. Em paralelo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, determina a instalação, na próxima terça-feira, da CPI do crime organizado. O colegiado deve ser composto com participação do senador Alessandro Vieira. A mensagem do Congresso é de “enfrentamento” e de união institucional contra milícias e facções.

Governadores articulam visita política ao Rio nesta quinta

Além da comitiva federal, uma frente de governadores e representantes estaduais prepara uma visita ao Rio de Janeiro. A articulação é conduzida pelo governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, e deve reunir ao menos dez unidades da Federação, entre elas Goiás, Minas Gerais e o Distrito Federal — este representado pela vice-governadora Celina Leão. O encontro com Cláudio Castro está marcado para quinta-feira, entre 17h30 e 18h, no Palácio Guanabara.

Operação reacende debate sobre coordenação e respostas de curto prazo

Os desdobramentos da ação — que resulta em 113 presos, 10 adolescentes apreendidos e 118 armas recolhidas, sendo 94 fuzis, segundo atualizações citadas em edições anteriores do programa — impulsionam cobranças por integração entre esferas federal e estadual. O governo federal se dispõe a reforçar perícia, inteligência e custódia de chefes de facção em presídios federais, enquanto o eventual emprego das Forças Armadas segue condicionado a pedido formal do governador e ao reconhecimento da insuficiência das forças locais para conter a crise.

A expectativa, agora, recai sobre os anúncios após as reuniões no Guanabara: de um lado, a comitiva de ministros e diretores federais; de outro, a visita política organizada por governadores. Em comum, a promessa de coordenação para respostas rápidas no campo da segurança pública e da identificação das vítimas, sem perder de vista os limites legais e o rito exigido para decisões de maior impacto, como a GLO.