
Petrobras tem prejuízo de 2,6 bilhões no segundo trimestre de 2024
Arquivo/Agência Brasil
Uma sonda de perfuração da Petrobras, avaliada em cerca de R$ 4 milhões por dia de aluguel, está parada há mais de 100 dias no litoral do Amapá, aguardando liberação do Ibama para iniciar testes de prospecção de petróleo na chamada margem equatorial brasileira. O equipamento, alugado de uma empresa internacional, foi deslocado para a região em agosto de 2025 e até hoje não recebeu autorização para operar.
O contrato de aluguel termina nesta terça-feira (21), acumulando um custo estimado de R$ 240 milhões sem que a sonda tenha sido utilizada. O caso foi exposto pelo governador do Amapá, Clécio Luiz Vieira, em entrevista ao Canal Livre, da BandNews TV e da Rádio Bandeirantes. Segundo ele, o atraso é resultado da demora do Ibama em liberar a licença para a fase de pesquisa, não de exploração.
“O que estão impedindo é a ciência. O navio sonda NS-42 está lá há mais de 100 dias, custando milhões por dia à Petrobras, consequentemente a nós”, afirmou o governador. “Tudo o que o Ibama pediu foi feito, mas falta decisão.”
A margem equatorial é uma das regiões mais promissoras do país para novas descobertas de petróleo, podendo abrigar reservas comparáveis — ou até superiores — às da Guiana. A perfuração inicial seria apenas para confirmar a existência e a qualidade do petróleo, estimada como de alto valor comercial.
O impasse divide opiniões dentro e fora do governo. Ambientalistas e parte do Ministério do Meio Ambiente defendem cautela na liberação, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro das Minas e Energia e a própria Petrobras já declararam apoio à exploração, desde que com critérios técnicos e ambientais rigorosos.
Clécio Luiz defendeu uma postura equilibrada entre preservação e desenvolvimento. “O Amapá tem 97% da cobertura florestal intacta, mas apresenta os piores indicadores sociais e econômicos do Brasil. Nosso discurso de sustentabilidade só será verdadeiro quando os ativos ambientais ajudarem a gerar emprego e renda”, disse.
Atualmente, 70% do território do Amapá é composto por áreas de preservação, entre terras indígenas, parques nacionais e reservas estaduais. O governador reforça que a exploração controlada pode ser o caminho para conciliar conservação ambiental com progresso econômico em um dos estados mais pobres do país.
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