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SP instala gaiolas em bueiros para conter lixo e evitar enchentes

Prefeitura inicia instalação de estruturas metálicas em bocas de lobo para reter resíduos e melhorar drenagem urbana.

Da redação
DA REDAÇÃO

23/04/2026 • 11:00 • Atualizado em 23/04/2026 • 11:00

Enchente

Enchente

REUTERS/Claudia Greco

A Prefeitura de São Paulo iniciou a instalação de gaiolas de contenção em bocas de lobo com o objetivo de reduzir alagamentos causados pelo entupimento de galerias pluviais. A medida começou a ser implementada em abril e, nesta primeira etapa, contempla 145 equipamentos distribuídos nas regiões da Sé e da Mooca, áreas historicamente afetadas por enchentes.

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Segundo a administração municipal, o plano prevê a instalação de 1.560 estruturas em toda a cidade. As gaiolas são feitas de aço e posicionadas dentro dos bueiros — ou, tecnicamente, nas bocas de lobo — com a função de reter resíduos sólidos, como lixo descartado irregularmente e materiais arrastados pela chuva, antes que cheguem às galerias subterrâneas.

A proposta é simples: ao impedir que o lixo alcance as tubulações, reduz-se a necessidade de desobstrução e, consequentemente, o risco de alagamentos. De acordo com o secretário municipal das Subprefeituras, Fabrício Cobra, as estruturas devem aumentar a eficiência da limpeza urbana. “A ideia é que o material fique retido nas gaiolas, facilitando o trabalho das equipes e evitando o entupimento das galerias”, afirmou.

A manutenção das gaiolas será feita conforme a demanda. A prefeitura informou que a limpeza poderá ocorrer semanalmente, quinzenalmente ou em intervalos maiores, dependendo de fatores como volume de chuvas e acúmulo de resíduos.

Apesar da iniciativa, há dúvidas sobre a efetividade do sistema. As estruturas são móveis e ajustáveis, o que levanta questionamentos sobre possíveis falhas de encaixe em bocas de lobo de diferentes tamanhos. Também há preocupação com a possibilidade de vandalismo ou furto, já que o material metálico pode ter valor no mercado ilegal.

Outro ponto levantado é que as gaiolas não cobrem completamente toda a abertura das bocas de lobo, o que pode permitir a passagem de parte dos resíduos, como folhas e pequenos objetos. Ainda assim, a prefeitura afirma que, uma vez instaladas corretamente, as estruturas devem cumprir o papel de retenção.

A medida não é inédita. Municípios como Santo André, no ABC Paulista, já adotaram sistema semelhante desde 2023, com centenas de unidades instaladas. No entanto, ainda não há dados consolidados divulgados sobre a eficácia dessas estruturas na redução de enchentes.

Especialistas e autoridades ressaltam que, além de soluções estruturais, o sucesso da iniciativa depende diretamente do comportamento da população. O descarte irregular de lixo continua sendo um dos principais fatores de obstrução das redes de drenagem urbana.

Com a aproximação do período mais seco, a avaliação prática das gaiolas deve ocorrer apenas nos meses de chuvas mais intensas, no fim do ano. Até lá, a expectativa é que o projeto avance e permita uma análise mais precisa sobre seus impactos no enfrentamento dos alagamentos na capital paulista.