
Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF)
© ASCOM/STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, declarou-se suspeito para julgar ações relacionadas ao Banco Master, em uma decisão que adiciona um novo capítulo à complexa teia que envolve a instituição financeira. Com a sua saída, o ministro Cristiano Zanin foi designado como o novo relator do mandado de segurança que busca forçar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o banco na Câmara dos Deputados, presidida por Hugo Mota.
Em sua decisão, assinada na última quarta-feira, Toffoli afirmou que as alegações de impedimento contra ele já haviam sido superadas em processos anteriores, como os da Operação Compliance Zero. No entanto, desta vez, o ministro invocou "motivo de foro íntimo" para justificar sua suspeição, uma prerrogativa que não exige detalhamento público das razões.
O caso do Banco Master tem revelado uma extensa rede de conexões com figuras proeminentes do cenário político e regulatório. Uma das revelações aponta que ACM Neto, vice-presidente do União Brasil e pré-candidato ao governo da Bahia, recebeu R$ 3,5 milhões do Banco Master e da REAG, uma empresa associada ao banqueiro Daniel Vorcaro. Os pagamentos foram direcionados a uma empresa de consultoria de propriedade de Neto, que justificou a transação afirmando que os contratos foram transparentes e que a consultoria prestou serviços a diversos clientes no país.
Além das conexões políticas, a influência de Daniel Vorcaro parece ter alcançado os órgãos reguladores do sistema financeiro. Um levantamento jornalístico da Rádio Bandeirantes expôs que o banqueiro esteve no Banco Central em 62 ocasiões entre 2017 e 2025. O período de maior trânsito de Vorcaro na autoridade monetária ocorreu durante a gestão de Roberto Campos Neto, com 24 visitas registradas.
A frequência das visitas coincide com o período de reestruturação do antigo Banco Máxima, que se transformou no Banco Master. Somente em 2019, ano considerado crucial para a transição do negócio, Daniel Vorcaro esteve na sede do Banco Central em 11 oportunidades. As investigações em curso buscam determinar se esse acesso, considerado privilegiado, facilitou as operações que resultaram no rombo financeiro da instituição.
A situação culminou com a prisão de Daniel Vorcaro em novembro de 2025. No dia seguinte à sua detenção, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, um procedimento drástico adotado quando uma instituição financeira se torna insolvente ou comete graves violações às normas do sistema financeiro nacional. O desdobramento do caso no STF, agora sob a relatoria de Zanin, e as investigações sobre as conexões políticas e regulatórias do banco continuam a ser um ponto de atenção em Brasília.
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