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Uso de vape entre adolescentes quase que dobra e mostra alerta de saúde

Pesquisa do IBGE mostra avanço do cigarro eletrônico entre jovens, apesar da queda no consumo de álcool e cigarro

Da redação
DA REDAÇÃO

25/03/2026 • 14:28 • Atualizado em 25/03/2026 • 14:28

O uso de cigarros eletrônicos, popularizados como “vapes”, praticamente dobrou nos últimos anos entre adolescentes brasileiros e causou um alerta entre especialistas em saúde pública. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE, indicam que a experimentação do chamado vape passou de 16,3% em 2019 para 29% em 2024 entre jovens de 13 a 17 anos. .

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Na prática, isso significa que quase um em cada três adolescentes já experimentou o dispositivo ao menos uma vez. O avanço ocorre na contramão de outros indicadores: no mesmo período, houve queda no consumo de cigarro tradicional, bebidas alcoólicas e drogas ilícitas entre essa faixa etária.

O levantamento mostra ainda que o uso do cigarro eletrônico é mais frequente entre meninas do que entre meninos e tem maior incidência entre estudantes da rede pública. Regionalmente, o crescimento foi observado em todo o país, com destaque para as regiões Centro-Oeste e Sul, que concentram os maiores índices.

Especialistas alertam para os riscos associados ao vape, sobretudo entre jovens. A pneumologista Naira Silveira destaca que o dispositivo pode provocar dependência rápida de nicotina e funcionar como porta de entrada para outros vícios. Além disso, o impacto no cérebro em desenvolvimento pode comprometer funções como atenção, memória e controle emocional, aumentando riscos de ansiedade e depressão.

Outro fator de preocupação é a falta de controle sobre a composição dos produtos. Apesar de proibidos no Brasil — incluindo fabricação, importação, comercialização e publicidade — os cigarros eletrônicos são facilmente encontrados no mercado ilegal, tanto em lojas físicas quanto na internet.

Sem fiscalização adequada, esses dispositivos podem conter substâncias tóxicas, como metais pesados e solventes, além de drogas ilícitas. Casos já registrados apontam para a presença de entorpecentes em vapes apreendidos, o que amplia os riscos à saúde dos usuários.

O mercado clandestino movimenta cifras significativas. Segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), o comércio ilegal de cigarros eletrônicos pode gerar cerca de R$ 5 milhões por dia no país, o equivalente a aproximadamente R$ 2 bilhões por ano.

Embora o uso individual não seja proibido, a venda de produtos derivados do tabaco é vetada para menores de 18 anos. Ainda assim, a facilidade de acesso e a percepção equivocada de que o vape é menos prejudicial que o cigarro tradicional contribuem para sua popularização entre adolescentes.

Diante desse cenário, especialistas defendem o reforço de campanhas de conscientização voltadas ao público jovem, com foco nos riscos reais do uso desses dispositivos e na prevenção do vício precoce.