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Saúde

Mais da metade dos trabalhadores com ansiedade não se tratam, diz pesquisa

Pesquisa inédita mostra avanço de quadros de ansiedade, depressão e privação de sono entre profissionais, especialmente na Geração Z

3 min

28/05/2026 14:24 • Atualizado há 149 dias

Mais da metade dos trabalhadores com ansiedade não se tratam, diz pesquisa

Uma avaliação clínica realizada com mais de mil profissionais de 38 empresas brasileiras revelou que 51,6% dos trabalhadores diagnosticados com ansiedade não recebem nenhum tipo de tratamento. O levantamento foi conduzido pela Axenya com base na aplicação do PHQ-9, instrumento utilizado internacionalmente para rastreamento de depressão e ansiedade em consultórios psiquiátricos.

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Os dados foram apresentados em conjunto com um estudo da Vidalink sobre consumo de medicamentos para saúde mental entre 91 mil beneficiários. O cruzamento das informações revelou um cenário preocupante: embora o problema já esteja identificado em muitos casos, o cuidado contínuo ainda não chega à maior parte dos profissionais.

Segundo a Axenya, o PHQ-9 consegue captar sintomas com precisão clínica, diferentemente das tradicionais pesquisas de clima organizacional e engajamento utilizadas pelas empresas. A avaliação apontou que 12,2% dos profissionais apresentam sinais de depressão moderada ou grave, enquanto 62,7% dormem seis horas ou menos por noite. No total, um em cada três colaboradores avaliados apresenta algum sinal clínico relevante relacionado à saúde mental.

“Do ponto de vista clínico, rastreamento só faz sentido quando há tratamento eficaz disponível para a condição detectada. O objetivo final não é identificar o problema, mas alterar o curso da doença e melhorar a qualidade de vida de quem foi rastreado. O que os dados mostram é que metade das pessoas identificadas com ansiedade não chegou a essa segunda etapa. O rastreamento foi feito. O cuidado, não”, afirma Dra. Aline Pasiani, diretora médica da Axenya.

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Consumo de medicamentos cresce, mas tratamento não acompanha

O levantamento da Vidalink reforça o contraste entre diagnóstico e acompanhamento terapêutico. Em apenas um ano, os 91 mil beneficiários analisados adquiriram antidepressivos ou ansiolíticos, movimentando R$ 31 milhões.

Apesar do aumento no consumo de medicamentos, metade das pessoas diagnosticadas com ansiedade continua sem qualquer acompanhamento terapêutico. Para os pesquisadores, os números mostram que o acesso aos remédios não necessariamente significa acesso ao tratamento adequado.

Geração Z concentra os indicadores mais preocupantes

Os jovens da Geração Z aparecem como o grupo com os piores indicadores de bem-estar emocional. Dados do Check-up de Bem-Estar 2025, realizado com 11,6 mil profissionais de 250 empresas brasileiras, apontam que quanto mais jovem o trabalhador, pior sua percepção sobre qualidade de vida e menor a adesão a práticas de autocuidado.

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Segundo o estudo, 30% dos jovens da Geração Z se declaram insatisfeitos com o próprio nível de bem-estar, o maior índice entre todas as gerações analisadas.

A distância entre diagnóstico e comportamento também chama atenção nessa faixa etária. Entre as mulheres jovens, 39% afirmam não fazer absolutamente nada pela própria saúde mental. Entre as Baby Boomers, o índice cai para 14%.

A prática de atividade física também varia conforme a idade. Enquanto 46% dos homens mais velhos utilizam exercícios como forma de cuidado emocional, apenas 34% dos jovens mantêm esse hábito.

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No consumo de medicamentos, a Geração Z foi a única faixa etária a registrar crescimento. Entre mulheres jovens, a alta chegou a 9% no último ano.

O levantamento ainda identificou que um em cada quatro colaboradores acumula dois ou mais fatores de risco simultaneamente, cenário que, segundo a empresa, dificilmente seria detectado apenas por pesquisas de opinião.

“Quando a empresa pergunta como o colaborador está, recebe uma resposta social. Quando mede, o cenário muda completamente. O que estamos entregando não é uma percepção — é um dado”, conclui Dra. Aline Pasiani.

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