Saúde

Anvisa aprova novas indicações de imunoterápicos contra o câncer

Keytruda e Imfinzi passam a tratar câncer de ovário e estômago em combinação com quimioterapia

Da redação
DA REDAÇÃO

24/02/2026 • 13:46 • Atualizado em 24/02/2026 • 13:46

Keytruda e Imfinzi recebem novas indicações para tratar câncer no Brasil

Keytruda e Imfinzi recebem novas indicações para tratar câncer no Brasil

Marcelo Camargo/ Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novas indicações para dois medicamentos imunoterápicos, abrindo caminho para tratamentos mais eficazes contra câncer de ovário e estômago.

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A decisão beneficia pacientes com carcinoma epitelial de ovário resistente à platina e aqueles com adenocarcinoma gástrico ou da junção gastroesofágica ressecável, combinando imunoterapia com regimes de quimioterapia padrão.

O Keytruda® (pembrolizumabe), registrado no Brasil em 2022, já era indicado como monoterapia para melanoma metastático ou irressecável. A nova autorização permite seu uso em combinação com quimioterapia padrão, com ou sem bevacizumabe, ampliando as opções terapêuticas para pacientes com câncer de ovário resistente à platina, uma condição que apresenta resposta limitada aos tratamentos convencionais.

O Imfinzi (durvalumabe) também recebeu nova indicação. Em combinação com a quimioterapia FLOT, que inclui fluorouracil, leucovorina, oxaliplatina e docetaxel, pode ser utilizado no tratamento neoadjuvante e adjuvante de adenocarcinoma gástrico ou da junção gastroesofágica ressecável, seguido de monoterapia adjuvante.

Antes, o medicamento já era opção para carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático em pacientes com progressão durante ou após quimioterapia à base de platina.

O câncer gástrico é a quinta causa de morte por neoplasia no mundo e, no Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 21.480 casos novos ao ano entre 2023 e 2025. A maior parte, aproximadamente 95%, corresponde a adenocarcinomas, com risco estimado de 9,44 casos por 100 mil habitantes para formas ressecáveis.

A eficácia do Imfinzi nas novas indicações foi avaliada no estudo Matterhorn, ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com 948 pacientes.

O braço que recebeu durvalumabe em combinação com FLOT apresentou mediana de sobrevida livre de eventos não alcançada, enquanto o braço controle teve 32,8 meses, resultando em redução de 29% no risco de eventos (HR=0,71; IC 95% 0,58–0,86; p<0,001).

Além disso, a taxa de resposta patológica completa foi cerca de 12% maior no grupo tratado com Imfinzi, e a sobrevida global também mostrou benefício significativo (HR=0,78; IC 95% 0,63–0,96; p=0,021).

Segundo a Anvisa, o perfil de segurança dos medicamentos permaneceu aceitável, sem identificação de novos sinais de toxicidade. As novas indicações foram publicadas no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (23), reforçando o avanço da imunoterapia no combate a tipos agressivos de câncer.

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