Saúde

Blefaroplastia: 3ª cirurgia plástica mais feita exige avaliação cautelosa

Procedimento pode melhorar a aparência e até a visão, mas exige exames, avaliação especializada e atenção no pós-operatório

GABRIELLE PEDRO

12/06/2026 • 13:59 • Atualizado em 12/06/2026 • 13:59

Resumo

A procura pela blefaroplastia cresce no Brasil e no mundo devido ao desejo de rejuvenescimento do olhar, sendo o procedimento a terceira cirurgia plástica estética mais realizada no país, com destaque para questões funcionais e estéticas da região dos olhos.

A avaliação médica detalhada, incluindo exames laboratoriais e oftalmológicos, suspensão de medicamentos e cuidados com a pele, é essencial para garantir segurança e reduzir riscos como hematomas, sangramentos e remoção excessiva de pele.

A recuperação exige repouso relativo, compressas, proteção solar e retorno gradual às atividades, enquanto tratamentos dermatológicos podem ser indicados para casos leves, sendo fundamental evitar desinformação e expectativas irreais sobre resultados.

A busca por um olhar mais jovem e descansado tem impulsionado a procura pela blefaroplastia, cirurgia que corrige o excesso de pele e bolsas nas pálpebras. Segundo dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), o procedimento já ocupa a terceira posição entre as cirurgias plásticas estéticas mais realizadas no Brasil e lidera o ranking mundial da especialidade.

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Apesar da popularidade crescente, especialistas alertam que a cirurgia exige avaliação criteriosa e cuidados antes e depois do procedimento para garantir segurança e resultados naturais.

De acordo com o cirurgião oculoplástico Dr. André Borba, especialista em rejuvenescimento periocular e presidente do congresso da European Society of Ophthalmic Plastic and Reconstructive Surgery, a alta procura está relacionada ao papel central que a região dos olhos exerce na aparência facial.

"A região dos olhos é ponto central na beleza da face, tanto masculina quanto feminina. Excesso de pele, pálpebras mais caídas, flacidez e perda de sustentação podem surgir precocemente na área periocular, muitas vezes antes mesmo de serem percebidos no restante do rosto", explica.

O especialista destaca ainda que o uso das chamadas "canetas emagrecedoras" também contribuiu para o aumento da demanda. Segundo ele, o emagrecimento acelerado pode provocar perda de volume ao redor dos olhos, favorecendo um aspecto de esvaziamento e envelhecimento da região.

Quando a cirurgia é indicada?

Embora seja frequentemente associada à estética, a blefaroplastia também pode trazer benefícios funcionais.

Em alguns pacientes, o excesso de pele nas pálpebras superiores pode comprometer o campo visual e dificultar atividades do dia a dia.

"A cirurgia normalmente é indicada em casos de excesso severo de pele na pálpebra superior, em que a pele invade e prejudica a visão, em flacidez ou fadiga muscular da região que força a visão causando dores de cabeça, além de situações em que há necessidade de ajustar o eixo visual", afirma Borba.

A médica dermatologista Dra. Iris Markuz explica que é importante diferenciar excesso de pele de outros problemas comuns na região dos olhos.

"O excesso de pele que precisa de cirurgia pode até atrapalhar a visão e é possível observar a pele dobrada e sobreposta. Já a flacidez é uma pele mais fina que perde o tônus com o tempo. As bolsas costumam ter forte componente genético, enquanto as olheiras podem estar relacionadas à perda de volume ou ao acúmulo de melanina", esclarece.

Exames são fundamentais antes da operação

Apesar de ser considerada menos invasiva que outras cirurgias plásticas, a blefaroplastia exige uma investigação detalhada do estado de saúde do paciente.

Segundo Borba, a avaliação deve incluir histórico médico completo, exames laboratoriais como hemograma e coagulograma, além de avaliação oftalmológica com investigação de olho seco, exame de campo visual, acuidade visual e tonometria.

"Mesmo sendo considerada uma cirurgia relativamente pequena quando comparada a outros procedimentos, a blefaroplastia continua sendo uma cirurgia e jamais deve ser minimizada", alerta.

Dependendo da idade e das condições clínicas do paciente, também podem ser solicitadas avaliações cardiológicas e outros exames complementares.

Medicamentos e hábitos exigem atenção

Nas semanas que antecedem a cirurgia, alguns cuidados podem reduzir riscos e favorecer a recuperação.

O especialista recomenda manter alimentação equilibrada, boa hidratação e evitar consumo excessivo de álcool. Também é essencial informar à equipe médica todos os medicamentos e suplementos utilizados.

Entre os itens que costumam exigir suspensão prévia estão canetas emagrecedoras, medicamentos para perda de peso, ácido acetilsalicílico (AAS), anti-inflamatórios, anticoagulantes e alguns suplementos que aumentam o risco de sangramento.

Na parte dermatológica, Iris Markuz orienta interromper temporariamente o uso de ácidos e produtos com ação renovadora.

"O objetivo passa a ser hidratação e fortalecimento da barreira cutânea com ativos como ácido hialurônico, ceramidas, pantenol e centella asiática", explica.

Quais são os riscos?

Como qualquer procedimento cirúrgico, a blefaroplastia apresenta riscos.

Entre as possíveis complicações estão: hematomas, sangramentos, assimetrias, retirada excessiva de pele e alterações funcionais nas pálpebras.

Segundo Borba, um dos problemas mais graves ocorre quando há remoção exagerada de tecido.

"A retirada excessiva de pele pode gerar incapacidade de fechar completamente os olhos, exposição da córnea, irritação ocular persistente, úlceras e infecções", afirma.

Para reduzir os riscos, o médico destaca a importância de escolher profissionais experientes em cirurgia palpebral e realizar todo o preparo pré-operatório recomendado.

Como é a recuperação?

Nos primeiros sete dias, o paciente deve manter repouso relativo, fazer compressas e evitar manter a cabeça baixa. Dormir com a cabeça elevada também faz parte das orientações.

Após a retirada dos pontos, geralmente realizada na primeira semana, o inchaço e os hematomas começam a diminuir, permitindo o retorno gradual às atividades leves.

Já exercícios físicos, maquiagem e rotinas mais completas de cuidados com a pele costumam ser liberados após cerca de 30 dias, dependendo da evolução de cada caso.

A exposição direta ao sol, porém, deve ser evitada por pelo menos três meses.

"Recomendo inclusive o uso de óculos escuros para proteger essa pele que ainda está em processo de recuperação", orienta Borba.

Nem toda flacidez exige cirurgia

Antes de recorrer à blefaroplastia, alguns pacientes podem se beneficiar de tratamentos dermatológicos que ajudam a melhorar a qualidade da pele e retardar o envelhecimento da região.

Segundo Iris Markuz, recursos como tratamentos regenerativos com PDRN, exossomos e tecnologias voltadas para estímulo de colágeno podem oferecer melhora da firmeza e do contorno facial.

No entanto, ela ressalta que existe um limite para os tratamentos não cirúrgicos.

"Dependendo do grau de flacidez, podemos melhorar a qualidade da pele, mas não reverter uma sobra significativa de pele. Em casos de obstrução da visão, por exemplo, a cirurgia costuma ser a melhor opção", afirma.

Cuidados com a desinformação

Os especialistas também alertam para informações enganosas que circulam nas redes sociais.

Entre os principais mitos estão promessas de "blefaroplastia caseira", tratamentos capazes de eliminar definitivamente as olheiras e o uso de fitas adesivas para "treinar" a musculatura das pálpebras.

Além disso, muitos pacientes chegam ao consultório com expectativas irreais, inspiradas por filtros digitais ou celebridades.

"A melhor blefaroplastia é aquela que faz as pessoas perceberem que você está bem, descansado e rejuvenescido, sem que consigam identificar exatamente o que foi feito", conclui Borba.

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