
Novo exame para câncer de intestino é incorporado ao SUS
Fernando Frazão/Agência Brasil
Um novo exame para rastrear o câncer colorretal será incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde, e a expectativa é que o Teste Imunoquímico Fecal (FIT, na sigla em inglês) comece a ser oferecido à população no segundo semestre deste ano.
A tecnologia passa a ser o exame de referência para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos. Segundo a pasta, o teste tem sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações no intestino.
A mudança acontece em meio ao avanço de um câncer que cresce tanto em incidência quanto em interesse público. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer colorretal já é o segundo mais comum no Brasil, desconsiderando os tumores de pele não melanoma, com estimativa de 53,8 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028.
Um levantamento da Sala Digital, com base em dados do Google Trends, mostra que a preocupação dos brasileiros acompanha esse cenário. As buscas por câncer colorretal praticamente dobraram nos últimos cinco anos em relação ao período anterior, com alta de 85%.

Entre as dúvidas que mais movimentam a barra de pesquisas estão perguntas como “sangue nas fezes é câncer?”, “como detectar câncer de intestino?” e “excesso de gases pode ser câncer?”.
Parte desse interesse também foi impulsionada por casos de grande repercussão na mídia, que ajudaram a ampliar o debate sobre diagnóstico precoce e rastreamento da doença. No Brasil, a cantora Preta Gil anunciou em janeiro de 2023 o diagnóstico de um adenocarcinoma no reto. Após um longo período de tratamento, ela faleceu em julho de 2025, aos 50 anos. Ao longo do processo, a artista sempre chamou muita atenção para a importância da prevenção.
Prevenção, exames e sintomas
A colonoscopia continua sendo considerada o exame padrão-ouro para avaliação do intestino, porque permite identificar e remover pólipos no cólon e no reto durante o próprio procedimento. Essas lesões podem evoluir para tumores malignos ao longo do tempo.
Já o FIT entra como uma ferramenta de triagem mais prática, acessível e barata para rastreamento em larga escala. O exame identifica sangue oculto nas fezes — um dos primeiros sinais de pólipos ou lesões no intestino — e pode ser feito em casa, sem preparo intestinal ou restrições alimentares. Basta utilizar um kit coletor, que depois é encaminhado para análise laboratorial.
Caso o resultado seja positivo, o paciente é encaminhado para colonoscopia. O novo protocolo poderá ampliar o acesso ao diagnóstico precoce para mais de 40 milhões de brasileiros.
O câncer colorretal costuma agir de forma silenciosa. Sintomas como gases, diarreia constante, desconfortos abdominais e alterações intestinais podem parecer banais no início — como um pequeno vazamento que passa despercebido até causar um problema maior. Quando antes o diagnóstico da doença for feito, maiores são as chances de sucesso no tratamento.

