Saúde

Caso Alice Ribeiro: entenda como funciona a doação de órgãos no Brasil

Autorização da família é decisiva e permite que órgãos sejam destinados a pacientes em lista única do SUS, seguindo critérios técnicos e rigorosos de compatibilidade

Da redação
DA REDAÇÃO

17/04/2026 • 11:31 • Atualizado em 17/04/2026 • 11:31

Alice Ribeiro

Alice Ribeiro

Reprodução/Instagram/aliceribeirojornalista

Resumo

A autorização da família da repórter Alice Ribeiro para doação de órgãos após morte encefálica no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, exemplificou o funcionamento do sistema de transplantes no Brasil, onde a palavra final é sempre da família, independentemente do desejo do doador em vida.

O processo de doação segue etapas definidas: confirmação da morte encefálica por protocolo médico, consentimento familiar obrigatório, notificação à Central de Transplantes, avaliação da viabilidade dos órgãos, cruzamento com a fila única gerida pelo SUS e seleção dos receptores baseada em critérios técnicos, como compatibilidade e gravidade.

A legislação brasileira determina que todo o sistema é gratuito e coordenado pelo Ministério da Saúde, permitindo doação em vida para parentes próximos e exigindo autorização judicial para não parentes, com impacto significativo na vida dos pacientes beneficiados por órgãos e tecidos doados.

A autorização da família da repórter Alice Ribeiro para a doação de órgãos após a confirmação de morte encefálica trouxe à tona uma dúvida frequente: como funciona, na prática, o sistema de transplantes no Brasil — considerado um dos maiores públicos do mundo.

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Após o diagnóstico de morte encefálica no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, os familiares da jornalista autorizaram a doação de rins, fígado, pâncreas e córneas. O coração, embora também fosse um desejo da família, foi considerado inviável pela equipe médica devido às lesões do acidente.

A decisão segue o que determina a legislação brasileira: mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora, a palavra final é sempre da família.

Como funciona a doação de órgãos no Brasil

O sistema brasileiro é regulamentado pela Lei nº 9.434/1997, com alterações posteriores, e coordenado pelo Sistema Nacional de Transplantes, vinculado ao Ministério da Saúde.

Todo o processo é gratuito e realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Autorização familiar é obrigatória

Atualmente, a doação de órgãos só acontece com o consentimento da família — geralmente cônjuge ou parentes de até segundo grau.

Registros em documentos, como RG ou CNH, não têm validade legal. Por isso, especialistas reforçam a importância de comunicar o desejo de ser doador ainda em vida aos familiares.

Quando a doação pode acontecer

No caso de doadores falecidos, como Alice Ribeiro, a retirada de órgãos só é permitida após a confirmação de morte encefálica, seguindo protocolo rigoroso definido pelo Conselho Federal de Medicina.

Esse diagnóstico garante que não há qualquer atividade cerebral e que o óbito já ocorreu, mesmo que o coração ainda esteja batendo com ajuda de aparelhos.

Etapas do processo de doação

Após a confirmação da morte encefálica e a autorização da família, o processo segue etapas bem definidas:

1. Notificação do caso

O hospital comunica a Central de Transplantes do estado.

2. Avaliação dos órgãos

Exames são realizados para verificar quais órgãos são viáveis para transplante, como ocorreu no caso de Alice.

3. Cruzamento com a fila de espera

Os órgãos são destinados a pacientes cadastrados em uma lista única, gerida pelo SUS.

4. Distribuição baseada em critérios técnicos

A seleção dos receptores leva em conta:

  • Compatibilidade sanguínea e genética
  • Gravidade do paciente
  • Tempo de espera

Não há possibilidade de escolha por parte da família nem interferência externa.

Fila única e critérios de prioridade

O Brasil adota um sistema de lista única por estado ou região, o que garante transparência e equidade.

A posição na fila não depende de fatores financeiros ou sociais, mas exclusivamente de critérios médicos e técnicos.

Doação em vida também é possível

Além da doação após a morte, pessoas vivas podem doar:

  • Um dos rins
  • Parte do fígado
  • Parte do pulmão

Nesse caso, a doação é permitida para parentes de até quarto grau ou cônjuges. Para não parentes, é necessária autorização judicial.

Impacto da doação

Um único doador pode salvar várias vidas. Órgãos como coração, fígado e rins podem beneficiar diferentes pacientes, enquanto tecidos como córneas devolvem a visão a pessoas com problemas oculares.

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