
Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês) passou a reconhecer oficialmente o diabetes tipo 5 como uma forma distinta da doença. Anteriormente conhecida como diabetes mellitus relacionado à desnutrição (DMRD), a condição foi incluída como a quinta classificação de diabetes durante o Congresso Mundial de Diabetes de 2025, realizado em Bangkok, na Tailândia.
O reconhecimento representa um marco para milhões de pessoas afetadas pela doença, especialmente em países de baixa e média renda, onde a desnutrição crônica ainda é um problema de saúde pública. A condição é mais comum em regiões do Sudeste Asiático e da África Subsaariana.
O que é o diabetes tipo 5?
O diabetes tipo 5 é uma forma de diabetes não autoimune associada à desnutrição prolongada durante a infância, adolescência e início da vida adulta. Diferentemente do diabetes tipo 1, que ocorre devido à destruição autoimune das células produtoras de insulina, e do diabetes tipo 2, relacionado principalmente à resistência à insulina, o tipo 5 surge quando o pâncreas não se desenvolve adequadamente devido à falta de nutrientes ao longo da vida.
Segundo a IDF, fatores como desnutrição materna, insegurança alimentar crônica e infecções frequentes podem comprometer o desenvolvimento do órgão, reduzindo sua capacidade de produzir insulina.
Quem está mais vulnerável?
A doença está fortemente associada à pobreza e às desigualdades em saúde. Pessoas que cresceram em ambientes com escassez alimentar ou que enfrentaram longos períodos de desnutrição apresentam maior risco de desenvolver a condição.
A federação destaca que refugiados e migrantes oriundos de regiões vulneráveis também podem manifestar a doença, mesmo após se estabelecerem em países de alta renda.
Sintomas são semelhantes aos de outros tipos de diabetes
Os sinais do diabetes tipo 5 podem ser confundidos com os do diabetes tipo 1. Entre os principais sintomas estão:
- Perda de peso involuntária;
- Sede excessiva;
- Necessidade frequente de urinar;
- Cansaço constante;
- Níveis elevados de glicose no sangue.
Uma característica marcante é que os pacientes geralmente apresentam baixo peso corporal, com índice de massa corporal (IMC) inferior a 19 kg/m².
Diagnóstico ainda é um desafio
Por muitos anos, a falta de critérios diagnósticos específicos fez com que pacientes fossem classificados erroneamente como portadores de diabetes tipo 1 ou tipo 2.
Essa confusão pode resultar em tratamentos inadequados e piora do quadro clínico. Para mudar esse cenário, a IDF criou um Grupo de Trabalho sobre Diabetes Tipo 5, responsável por desenvolver critérios diagnósticos formais e ampliar o conhecimento sobre a doença.
O grupo é liderado pela endocrinologista americana Meredith Hawkins e pelo endocrinologista Nihal Thomas.
Como é o tratamento?
O tratamento do diabetes tipo 5 vai além do controle da glicemia. Como a causa principal está relacionada à desnutrição, a recuperação nutricional é considerada parte essencial da terapia.
Entre as abordagens recomendadas estão:
- Suporte nutricional para corrigir deficiências alimentares;
- Medicamentos orais que estimulam a produção de insulina;
- Uso de insulina em baixas doses, quando necessário;
- Acompanhamento médico individualizado.
Especialistas alertam que protocolos usados para diabetes tipo 1 ou tipo 2 nem sempre apresentam bons resultados nesses pacientes.
Sem tratamento adequado, o diabetes tipo 5 pode levar a complicações graves, como doenças renais, danos nos nervos, problemas de visão e redução da expectativa de vida.
Diferenças entre os tipos 1, 2 e 5
Embora todos provoquem aumento da glicose no sangue, as causas são diferentes:
- Diabetes tipo 1: ocorre por destruição autoimune das células produtoras de insulina.
- Diabetes tipo 2: está relacionado principalmente à resistência à insulina e costuma estar associado ao sobrepeso e à obesidade.
- Diabetes tipo 5: é causado pela deficiência de produção de insulina decorrente da desnutrição crônica e do desenvolvimento inadequado do pâncreas.
Além disso, enquanto pessoas com diabetes tipo 2 frequentemente apresentam excesso de peso, pacientes com diabetes tipo 5 geralmente são magros e possuem histórico de privação nutricional.
Prevenção passa pelo combate à desnutrição
A prevenção do diabetes tipo 5 está diretamente ligada à melhoria das condições de vida e alimentação da população. Entre as medidas consideradas fundamentais estão:
- Melhorar a nutrição durante a gestação;
- Fortalecer programas de alimentação infantil;
- Garantir segurança alimentar para famílias vulneráveis;
- Reduzir a pobreza;
- Ampliar o acesso à atenção primária em saúde.
Para a Federação Internacional de Diabetes, o reconhecimento oficial da doença é um passo importante para reduzir diagnósticos incorretos e ampliar o acesso a tratamentos adequados, especialmente em regiões mais afetadas pela insegurança alimentar.

