
O que fazer em caso de picada de cobra
Agência Brasil
O Ministério da Saúde orienta que, diante de qualquer suspeita de picada de cobra, a vítima busque atendimento médico imediato em serviço de saúde ou hospital de referência, sem tentar tratar o ferimento em casa.
Primeiros passos após a picada
Nos acidentes ofídicos, o tempo até o atendimento é decisivo para evitar complicações graves.
- Procure ajuda profissional: Leve a pessoa rapidamente à unidade de saúde mais próxima. Em emergências, acione o SAMU pelo número 192 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
- Identificação da cobra, se for seguro: Quando possível, uma foto da serpente pode ajudar na escolha do soro, mas não se deve tentar capturar ou matar o animal.
- Repouso e segurança: Mantenha a vítima calma, com o membro afetado em repouso, e evite esforços físicos até a chegada ao atendimento.
- O que não fazer: Não corte o local, não faça torniquete, não tente sugar o veneno e não aplique substâncias como álcool, café ou terra sobre a picada.
Sintomas variam conforme o tipo de serpente
No Brasil, as principais serpentes de interesse em saúde pública pertencem às famílias Viperidae e Elapidae. Os sinais ajudam a orientar o diagnóstico e o tipo de soro.
Acidente botrópico (jararaca, jararacuçu, urutu)
É o mais frequente no país. Causa dor intensa e inchaço no local, com possibilidade de manchas arroxeadas e sangramento pelos pontos da picada.
Segundo o Ministério da Saúde, podem ocorrer hemorragias em gengivas e urina, infecção, necrose e insuficiência renal.
Acidente crotálico (cascavel)
Em muitos casos, o local da picada quase não dói e apresenta apenas formigamento. Os sinais de alerta incluem dificuldade para manter os olhos abertos, visão turva ou dupla, dor muscular generalizada e urina escura, com aspecto semelhante ao de refrigerante de cola.
Acidente laquético (surucucu-pico-de-jaca)
A maior serpente peçonhenta do Brasil provoca quadro semelhante ao da jararaca, com dor e inchaço, mas costuma vir acompanhado de cólicas abdominais, vômitos, diarreia, queda de pressão e diminuição dos batimentos cardíacos.
Acidente elapídico (coral-verdadeira)
A picada geralmente não causa dor intensa nem altera muito o local. O perigo está na evolução para visão borrada, pálpebras caídas e dificuldade para respirar, com risco de insuficiência respiratória aguda por paralisia muscular.
Tratamento exige soro em ambiente hospitalar
O único tratamento eficaz para acidentes com serpentes peçonhentas é o soro antiofídico específico, que deve ser aplicado exclusivamente em ambiente hospitalar e sob supervisão médica.
Há diferentes tipos de soro, como antibotrópico, anticrotálico, antilaquético e antielapídico, além de combinações. A quantidade de ampolas e a escolha do produto variam conforme a gravidade do quadro e o tipo de acidente.
Para monitorar a evolução, o médico pode solicitar exames de sangue, como tempo de coagulação, hemograma e avaliação da função renal.
Como prevenir acidentes com cobras
Medidas simples de proteção reduzem de forma importante o risco de picadas, principalmente em áreas rurais e de mata.
- Proteção das pernas: O uso de botas de cano alto ou perneiras pode evitar cerca de 75% dos acidentes, que em sua maioria atingem a região do joelho para baixo.
- Proteção das mãos: Luvas de couro ao manusear folhas secas, lenha ou lixo ajudam a prevenir picadas em mãos e antebraços, responsáveis por cerca de 20% dos casos.
- Ambiente limpo: Manter quintais e terrenos sem acúmulo de lixo, entulho e madeiras, além de controlar roedores, afasta serpentes que buscam locais quentes, escuros e úmidos.
- Cuidado redobrado: Evite colocar as mãos em buracos, ocos de árvores ou cupinzeiros e feche frestas em muros, pisos e portas que possam servir de abrigo para cobras.

