Saúde

Guia de primeiros socorros: o que fazer em caso de picada de cobra

Orientações do Ministério da Saúde explicam sintomas, tratamento com soro e medidas para evitar acidentes com serpentes

Da redação
DA REDAÇÃO

17/02/2026 • 13:23 • Atualizado em 17/02/2026 • 13:23

O que fazer em caso de picada de cobra

O que fazer em caso de picada de cobra

Agência Brasil

O Ministério da Saúde orienta que, diante de qualquer suspeita de picada de cobra, a vítima busque atendimento médico imediato em serviço de saúde ou hospital de referência, sem tentar tratar o ferimento em casa.

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Primeiros passos após a picada

Nos acidentes ofídicos, o tempo até o atendimento é decisivo para evitar complicações graves.

  1. Procure ajuda profissional: Leve a pessoa rapidamente à unidade de saúde mais próxima. Em emergências, acione o SAMU pelo número 192 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
  2. Identificação da cobra, se for seguro: Quando possível, uma foto da serpente pode ajudar na escolha do soro, mas não se deve tentar capturar ou matar o animal.
  3. Repouso e segurança: Mantenha a vítima calma, com o membro afetado em repouso, e evite esforços físicos até a chegada ao atendimento.
  4. O que não fazer: Não corte o local, não faça torniquete, não tente sugar o veneno e não aplique substâncias como álcool, café ou terra sobre a picada.

Sintomas variam conforme o tipo de serpente

No Brasil, as principais serpentes de interesse em saúde pública pertencem às famílias Viperidae e Elapidae. Os sinais ajudam a orientar o diagnóstico e o tipo de soro.

Acidente botrópico (jararaca, jararacuçu, urutu)

É o mais frequente no país. Causa dor intensa e inchaço no local, com possibilidade de manchas arroxeadas e sangramento pelos pontos da picada.

Segundo o Ministério da Saúde, podem ocorrer hemorragias em gengivas e urina, infecção, necrose e insuficiência renal.

Acidente crotálico (cascavel)

Em muitos casos, o local da picada quase não dói e apresenta apenas formigamento. Os sinais de alerta incluem dificuldade para manter os olhos abertos, visão turva ou dupla, dor muscular generalizada e urina escura, com aspecto semelhante ao de refrigerante de cola.

Acidente laquético (surucucu-pico-de-jaca)

A maior serpente peçonhenta do Brasil provoca quadro semelhante ao da jararaca, com dor e inchaço, mas costuma vir acompanhado de cólicas abdominais, vômitos, diarreia, queda de pressão e diminuição dos batimentos cardíacos.

Acidente elapídico (coral-verdadeira)

A picada geralmente não causa dor intensa nem altera muito o local. O perigo está na evolução para visão borrada, pálpebras caídas e dificuldade para respirar, com risco de insuficiência respiratória aguda por paralisia muscular.

Tratamento exige soro em ambiente hospitalar

O único tratamento eficaz para acidentes com serpentes peçonhentas é o soro antiofídico específico, que deve ser aplicado exclusivamente em ambiente hospitalar e sob supervisão médica.

Há diferentes tipos de soro, como antibotrópico, anticrotálico, antilaquético e antielapídico, além de combinações. A quantidade de ampolas e a escolha do produto variam conforme a gravidade do quadro e o tipo de acidente.

Para monitorar a evolução, o médico pode solicitar exames de sangue, como tempo de coagulação, hemograma e avaliação da função renal.

Como prevenir acidentes com cobras

Medidas simples de proteção reduzem de forma importante o risco de picadas, principalmente em áreas rurais e de mata.

  • Proteção das pernas: O uso de botas de cano alto ou perneiras pode evitar cerca de 75% dos acidentes, que em sua maioria atingem a região do joelho para baixo.
  • Proteção das mãos: Luvas de couro ao manusear folhas secas, lenha ou lixo ajudam a prevenir picadas em mãos e antebraços, responsáveis por cerca de 20% dos casos.
  • Ambiente limpo: Manter quintais e terrenos sem acúmulo de lixo, entulho e madeiras, além de controlar roedores, afasta serpentes que buscam locais quentes, escuros e úmidos.
  • Cuidado redobrado: Evite colocar as mãos em buracos, ocos de árvores ou cupinzeiros e feche frestas em muros, pisos e portas que possam servir de abrigo para cobras.

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