Saúde

Influenza recua no Norte e Nordeste, mas avança no Centro-Sul, diz Fiocruz

Boletim InfoGripe mostra queda ou interrupção do crescimento em parte do país, enquanto aumento preocupa estados do Centro-Sul

Da redação
DA REDAÇÃO

09/04/2026 • 14:39 • Atualizado em 09/04/2026 • 14:39

Joédson Alves/Agência Brasil

A nova edição do boletim InfoGripe, divulgada pela Fiocruz nesta quinta-feira (9), indica uma mudança no padrão de circulação da influenza A no Brasil. Enquanto há sinais de queda ou desaceleração dos casos graves no Norte e Nordeste, o vírus avança em estados do Centro-Sul, onde já há tendência de crescimento nas últimas semanas.

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Os dados, referentes à Semana Epidemiológica 13 (29 de março a 4 de abril), mostram que a influenza A segue com níveis elevados de incidência, apesar da melhora em algumas regiões. Ao mesmo tempo, o cenário nacional aponta interrupção do crescimento ou queda também nos casos associados ao rinovírus em boa parte do país.

Ao todo, 13 das 27 unidades federativas ainda apresentam incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em níveis de alerta, risco ou alto risco, com tendência de alta no longo prazo. Esses estados estão concentrados no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste, incluindo Minas Gerais e Espírito Santo.

Por outro lado, seis estados — como Amazonas, Ceará e o Distrito Federal — já apresentam sinais de estabilização ou queda, embora ainda mantenham níveis elevados de incidência.

Centro-Sul em alerta

O principal ponto de atenção do boletim é o avanço da influenza A no Centro-Sul. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina registram crescimento dos casos de SRAG associados ao vírus, mesmo em alguns locais ainda classificados em nível de segurança.

Já no Norte e Nordeste, a tendência predominante é de queda ou interrupção do crescimento, embora ainda haja aumento pontual em estados como Paraíba, Alagoas e Sergipe.

Perfil dos vírus e impacto

Nas últimas quatro semanas analisadas, a influenza A foi responsável por 30,7% dos casos positivos de vírus respiratórios e por 40,5% das mortes. O rinovírus aparece com maior prevalência entre os casos (40,8%), enquanto o Sars-CoV-2 (Covid-19) responde por 6,2% dos diagnósticos e 25% dos óbitos.

Em 2026, o país já notificou 31.768 casos de SRAG. Desses, 41,6% tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório.

Entre crianças e adolescentes, a queda recente dos casos está ligada principalmente à redução do rinovírus. Já entre adultos e idosos, a melhora em alguns estados ocorre devido à diminuição das hospitalizações por influenza A.

Capitais também preocupam

O levantamento aponta que 11 capitais apresentam crescimento de SRAG nas últimas seis semanas, incluindo Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Recife e Salvador. Outras oito capitais mostram tendência de queda ou estabilização, mas ainda em níveis elevados de incidência.

Vacinação e prevenção

A pesquisadora Tatiana Portella reforça que a vacinação contra a influenza é a principal forma de evitar casos graves e mortes.

Segundo ela, grupos de risco — como idosos, crianças, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde — devem se imunizar o quanto antes. A especialista também destaca a importância da vacinação de gestantes contra o vírus sincicial respiratório (VSR), além de medidas como isolamento em caso de sintomas e uso de máscara quando necessário.

Serviço: quem deve se vacinar contra a gripe no Brasil

De acordo com o Ministério da Saúde, a campanha nacional de vacinação contra a influenza prioriza os grupos mais vulneráveis a complicações da doença. Veja quem deve procurar a imunização:

  • Crianças de 6 meses a menores de 6 anos
  • Idosos com 60 anos ou mais
  • Gestantes e puérperas
  • Pessoas com comorbidades (como doenças cardíacas, respiratórias, diabetes e obesidade)
  • Trabalhadores da saúde
  • Professores das redes pública e privada
  • Povos indígenas e comunidades tradicionais
  • Pessoas com deficiência permanente
  • Profissionais das forças de segurança e salvamento

A vacina é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em postos de saúde de todo o país. A imunização é atualizada anualmente para proteger contra as cepas do vírus com maior circulação.

Impacto por faixa etária

O boletim mantém o padrão observado ao longo do ano:

  • Maior incidência de SRAG em crianças pequenas, associada ao VSR e rinovírus;
  • Maior mortalidade entre idosos, principalmente por influenza A e Covid-19.

O monitoramento contínuo do InfoGripe é uma das principais ferramentas do Sistema Único de Saúde (SUS) para orientar ações de vigilância e resposta a surtos respiratórios no país.

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