Saúde

Morte de James Van Der Beek alerta para câncer colorretal silencioso

Doença pode evoluir por anos sem sinais claros; saiba reconhecer sintomas, exames e formas de prevenção

Da redação
DA REDAÇÃO

11/02/2026 • 19:21 • Atualizado em 11/02/2026 • 19:21

O ator James Van Der Beek

O ator James Van Der Beek

Reprodução/Instagram/vanderjames

A morte do ator James Van Der Beek, conhecido por protagonizar a série “Dawson’s Creek”, voltou a chamar atenção para o câncer colorretal, doença que ele enfrentava desde o diagnóstico em 2023, tornado público em novembro de 2024. O artista descobriu a doença em estágio 3 após colonoscopia de rotina.

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O caso reacende o alerta para um tumor que pode evoluir de forma silenciosa por anos e que, quando identificado precocemente, apresenta altas chances de cura. Especialistas destacam que reconhecer sintomas e manter exames de rastreamento regulares são as principais formas de reduzir a mortalidade.

O câncer colorretal já atingiu diversas personalidades conhecidas mundialmente, ampliando o debate público sobre a importância do diagnóstico precoce. No Brasil, a cantora e apresentadora Preta Gil morreu em 20 de julho de 2025, aos 50 anos, após mais de dois anos de tratamento contra a doença, diagnosticada em 2023.

Entre os casos internacionais mais emblemáticos está o do ator norte-americano Chadwick Boseman, protagonista de “Pantera Negra”, que morreu em 2020 aos 43 anos após cerca de quatro anos convivendo com câncer de cólon. A atriz Kirstie Alley, conhecida pela série “Cheers” e pelos filmes “Olha Quem Está Falando”, morreu em 2022 em decorrência da doença.

Outros nomes incluem o ator e comediante Cleavon Little, morto em 1992, e o ativista britânico Stephen Sutton, que mobilizou campanhas de arrecadação para pesquisas contra o câncer antes de morrer em 2014, aos 19 anos. Os casos reforçam o impacto da doença e a relevância da prevenção e do rastreamento regular.

Sintomas, diagnóstico e tratamento do câncer colorretal

O câncer colorretal é um dos tumores mais comuns no Brasil e no mundo. Estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indica que o país deverá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, considerando todos os tipos da doença. Nesse cenário, o câncer colorretal está entre os mais frequentes e com maior impacto em saúde pública.

Esse tipo de câncer se desenvolve no intestino grosso (cólon ou reto) e geralmente se origina a partir de pólipos, pequenas lesões benignas que podem crescer na parede intestinal e, ao longo do tempo, tornar-se malignas.

Na maioria dos casos, a doença evolui lentamente e pode permanecer sem sintomas por anos, o que dificulta o diagnóstico precoce quando não há rastreamento preventivo. Por isso, exames periódicos são considerados a principal estratégia para reduzir a mortalidade.

O risco aumenta com a idade, especialmente após os 50 anos, mas também pode ocorrer em pessoas mais jovens, principalmente quando há histórico familiar ou fatores de risco associados.

Principais sintomas

Quando surgem, os sinais mais comuns incluem:

  • alteração persistente do hábito intestinal, como diarreia ou prisão de ventre
  • presença de sangue nas fezes, visível ou oculto
  • dor ou desconforto abdominal frequente
  • sensação de evacuação incompleta
  • perda de peso sem causa aparente
  • fraqueza, fadiga ou anemia

Em fases mais avançadas, podem ocorrer obstrução intestinal, dor intensa, massa abdominal palpável ou sangramentos mais importantes. A presença desses sintomas não significa necessariamente câncer, mas exige avaliação médica para investigação.

Intestino grosso, formado por cólon e reto, é onde se desenvolve o câncer colorretal | Crédto: Envato

Intestino grosso, formado por cólon e reto, é onde se desenvolve o câncer colorretal | Crédto: Envato

Quem tem maior risco de desenvolver a doença

Alguns fatores aumentam a probabilidade de câncer colorretal:

  • idade acima de 50 anos
  • histórico familiar da doença ou de pólipos intestinais
  • obesidade e sedentarismo
  • dieta rica em carnes processadas e pobre em fibras
  • tabagismo
  • consumo excessivo de álcool
  • doenças inflamatórias intestinais crônicas, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn
  • síndromes genéticas hereditárias associadas ao câncer intestinal

A combinação de fatores genéticos e hábitos de vida desempenha papel importante no desenvolvimento da doença.

Como é feito o diagnóstico

O principal exame para detectar o câncer colorretal é a colonoscopia. O procedimento permite visualizar o interior do intestino, identificar lesões suspeitas, remover pólipos e coletar material para biópsia.

Outros exames que podem ser utilizados incluem:

  • pesquisa de sangue oculto nas fezes, usada como teste inicial de rastreamento
  • retossigmoidoscopia
  • tomografia ou ressonância magnética para avaliar a extensão do tumor
  • exames laboratoriais e marcadores tumorais

O diagnóstico definitivo é feito pela análise histopatológica do tecido retirado na biópsia. Após a confirmação, exames de imagem ajudam a determinar o estágio da doença, o que orienta a escolha do tratamento.

Tratamento

O tratamento depende do estágio do câncer, da localização do tumor e das condições clínicas do paciente. A principal abordagem nos casos iniciais é a cirurgia para retirada do tumor e da parte do intestino afetada, muitas vezes com intenção curativa.

Dependendo do caso, podem ser indicados:

  • quimioterapia, antes ou depois da cirurgia, para reduzir risco de recidiva
  • radioterapia, especialmente em tumores do reto
  • terapias-alvo
  • imunoterapia em casos específicos

Quando o câncer é diagnosticado precocemente, as chances de cura são elevadas. Em estágios mais avançados, o tratamento busca controlar a doença, prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida.

Prevenção e rastreamento

O rastreamento regular é a principal estratégia de prevenção, porque permite identificar pólipos antes que se transformem em câncer ou detectar tumores em fase inicial.

Em geral, recomenda-se iniciar o rastreamento a partir dos 45 ou 50 anos, dependendo da orientação médica e do perfil de risco individual. Pessoas com histórico familiar ou doenças intestinais crônicas podem precisar começar antes.

Além dos exames, hábitos de vida saudáveis ajudam a reduzir o risco:

  • alimentação rica em fibras, frutas e vegetais
  • redução do consumo de carnes processadas e ultraprocessados
  • prática regular de atividade física
  • manutenção do peso adequado
  • evitar tabagismo
  • limitar consumo de álcool

A remoção de pólipos durante a colonoscopia impede que essas lesões evoluam para câncer.

Quando procurar um médico

A recomendação é buscar avaliação médica sempre que houver:

  • sangramento nas fezes
  • alteração persistente do funcionamento intestinal
  • dor abdominal frequente sem explicação
  • perda de peso involuntária
  • anemia sem causa definida

Mesmo sem sintomas, pessoas na faixa etária de rastreamento devem realizar exames preventivos conforme orientação médica.

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