Saúde

Onda de calor na Europa gera alertas de saúde; saiba quais

Calor extremo atinge diversos países europeus, provoca recordes e leva autoridades a emitir alertas à população

Da redação
DA REDAÇÃO

24/06/2026 • 11:57 • Atualizado em 24/06/2026 • 11:57

Calor na Europa

Calor na Europa

REUTERS/Alice Sacco

Grande parte da Europa Ocidental enfrenta, nesta quarta-feira (24), uma onda de calor extremo provocada por uma “cúpula de calor”, que tem levado as temperaturas a níveis considerados perigosos e, segundo meteorologistas, potencialmente letais.

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Um dia após a França registrar o dia mais quente de sua história, o Reino Unido se preparava para quebrar o recorde de temperatura máxima para o mês de junho. O serviço meteorológico britânico emitiu um alerta vermelho de saúde para amplas áreas do centro e sul da Inglaterra, além do País de Gales.

Reino Unido pode voltar a ultrapassar os 40°C

Este é apenas o segundo alerta vermelho já emitido no país desde julho de 2022, quando as temperaturas ultrapassaram os 40°C pela primeira vez na história. A previsão indica valores ligeiramente abaixo desse patamar nesta quarta-feira, mas há possibilidade de nova superação na quinta (25) — um nível que, até recentemente, era considerado praticamente impossível.

“Os alertas vermelhos são reservados para os eventos mais severos e estamos prevendo impactos significativos desta onda de calor, com riscos à saúde de muitas pessoas, inclusive além dos grupos mais vulneráveis”, afirmou Mark Sidaway, vice-chefe de previsão do Met Office.

Europa sob alertas e recordes sucessivos

França, Itália e Espanha também emitiram alertas de risco para dezenas de milhões de pessoas. O calor extremo vem se repetindo ano após ano na Europa, com recordes sendo superados de forma cada vez mais frequente, enquanto governos tentam adaptar infraestruturas e serviços à nova realidade climática.

Especialistas alertam que muitos edifícios, sistemas de transporte e ambientes de trabalho ainda não estão preparados para temperaturas extremas. Segundo projeções da agência climática da ONU, os próximos cinco anos devem registrar novos recordes de calor.

“As ondas de calor estão se tornando mais frequentes, mais longas e mais intensas por causa das mudanças climáticas”, afirmou Hayley Fowler, da Universidade de Newcastle. “Eventos como este devem se tornar cada vez mais comuns.”

França e Itália entre os países mais afetados

A França tem sido uma das nações mais atingidas. Na terça-feira, a média das temperaturas em 30 estações meteorológicas chegou a 29,8°C — uma das mais altas já registradas no país. Pontos turísticos como a Torre Eiffel e o Museu do Louvre tiveram horários reduzidos, e escolas e transportes foram afetados.

Na Itália, o Ministério da Saúde emitiu alertas vermelhos para 16 cidades, incluindo Roma, Milão, Florença e Turim. Em Florença, os termômetros podem chegar a 41°C.

O calor também impactou o setor cultural: desfiles de moda em Milão foram marcados por medidas improvisadas de resfriamento, como ventiladores portáteis e ajustes de última hora em locações devido a falhas em sistemas de ar-condicionado.

Transporte e rotina afetados no Reino Unido

No Reino Unido, escolas foram fechadas em algumas regiões e serviços ferroviários sofreram cancelamentos. A Network Rail alertou para “perturbações significativas”, com restrições de velocidade para evitar danos aos trilhos e à rede elétrica.

A Eurostar também cancelou viagens entre Londres e Paris devido às condições climáticas extremas.

O alerta vermelho segue em vigor até quinta-feira, com noites acima da média histórica de temperatura.

“Se você acha que já está quente, ainda não vimos nada”, disse o meteorologista Alex Burkill, do Met Office.

Trabalho e adaptações à nova realidade climática

Diante do calor extremo, sindicatos europeus defendem a adoção de pausas obrigatórias para trabalhadores, inspiradas em medidas utilizadas em grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo.

Em Paris, obras de infraestrutura já adotam jornadas antecipadas, com início por volta das 6h e término no início da tarde, para evitar os horários mais quentes do dia.

“Assim que o sol aparece, os trabalhadores fazem pausas regulares para se refrescar”, explicou um responsável por um canteiro de obras na capital francesa.

*Com informações do Estadão Conteúdo e da Associated Press (AP).

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