O aumento de casos de gripe tem chamado a atenção de pais, profissionais de saúde e autoridades em São Paulo. Em uma escola da capital paulista, por exemplo, foram registrados 11 casos de gripe em uma sala de 30 crianças, o que levou mães a redobrarem os cuidados e até a manterem os filhos em casa temporariamente. O cenário é reflexo de uma maior circulação do vírus influenza, especialmente em ambientes escolares e locais de aglomeração.
O secretário municipal de Saúde de São Bernardo do Campo, infectologista Jean Gorinchteyn, comentou sobre o quadro atual durante entrevista à rádio BandNews FM neste sábado (28), Dia D de Vacinação. Segundo ele, casos como o que aconteceu na escola da sua filha acabam representando pequenos surtos, mas é dentro daquilo que se espera, nada diferente.
O médico destacou que, com a chegada do outono e a tendência de queda das temperaturas, as pessoas passam a se aglomerar mais em ambientes fechados e pouco ventilados, favorecendo a transmissão de vírus respiratórios, como a influenza.
O aumento de casos tem levado autoridades a reforçarem a campanha de vacinação contra a gripe. Gorinchteyn explicou que a imunização é fundamental para evitar formas graves da doença, especialmente em grupos considerados prioritários, como idosos a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 6 anos e gestantes. “Por isso a vacinação quanto antes a vacinação acontece antes, as pessoas estão devidamente protegidas, principalmente para esse período em que a circulação do vírus da gripe passa a ser ainda muito maior”, ressaltou.
O médico alertou, porém, que a proteção oferecida pela vacina não é imediata. “Eu me vacino hoje. Eu só vou estar devidamente protegido, imunizado daqui a 12 a 14 dias”, afirmou. Segundo ele, muitas pessoas se sentem seguras logo após a vacinação e acabam se expondo em ambientes aglomerados, antes de estarem devidamente protegidas.
Gorinchteyn também abordou a queda nas taxas de cobertura vacinal, que já vinham ocorrendo antes da pandemia de COVID-19. “Acho que essa queda da questão vacinal, ela já vinha acontecendo antes da pandemia. Quando chegou a pandemia, é lógico que tivemos muitas informações desencontradas e essas informações desestimularam um pequeno grupo a não vacinar. A maioria acabou vacinando”, disse. O objetivo, segundo ele, é retomar índices próximos a 90% de cobertura, após resultados insatisfatórios em anos anteriores.
Uma das estratégias para ampliar o acesso à vacina tem sido o uso do “vacimóvel”, uma unidade móvel que leva a imunização a locais de grande circulação de pessoas, como terminais de ônibus, ferroviários, shoppings e feiras livres. Além disso, a vacinação está sendo oferecida em escolas, especialmente para educadores e crianças do grupo prioritário.
Quanto ao uso de máscaras, Gorinchteyn foi enfático ao recomendar a proteção em ambientes fechados e de grande circulação, principalmente no transporte público. “Preventivamente, você está bem, mas quer evitar a transmissão? Bota uma máscara, a gente já acostumou, né? Na época da COVID... Médicos usam máscaras em cirurgias desde sempre, o dentista coloca uma máscara para mexer na tua boca. Protegem sim. Ajudam, protegem, sim”, afirmou.
Sobre possíveis reações à vacina, o secretário tranquilizou a população. “Tenho uma dorzinha local, não vou mentir, 6% das pessoas têm uma dor no local. Pode ter uma febrinha baixa, pode. Só nada além disso. Então, é uma vacina absolutamente segura, que protege contra formas graves e fatal.

