
Mitos e verdades sobre a vacina contra o HPV
Agência SP
O Papilomavírus Humano (HPV) não é apenas uma infecção comum; ele é o principal responsável por diversos tipos de câncer, como o de colo do útero, ânus, pênis e garganta. Embora a vacinação seja a forma mais eficaz de prevenção, o Brasil ainda luta para atingir a meta de 95% de cobertura vacinal. Em 2024, o índice subiu para 82%, mas a desinformação continua sendo o maior obstáculo para proteger os jovens.
“A vacina contra o HPV funciona exatamente como usar um capacete”, explica o pediatra Mário Bochembuzio, do Instituto Butantan. “Ninguém espera sofrer um acidente para colocá-lo. A lógica é a mesma: a vacina deve ser aplicada antes do início da vida sexual, quando o sistema imunológico responde melhor”.Mitos e Verdades sobre a vacina do HPV
1. A vacina altera o DNA?
Falso. A vacina utiliza apenas uma proteína da superfície do vírus para "ensinar" o corpo a se defender. Não existe material genético viral (DNA) no imunizante, portanto, é impossível ele interagir com as células humanas ou causar infecção.
2. Ela causa a Síndrome de Guillain-Barré?
Falso. Após a análise de mais de 60 milhões de doses distribuídas mundialmente, a OMS e o comitê global de segurança de vacinas concluíram que não há associação direta entre o imunizante e a síndrome.
3. Causa mais danos do que benefícios?
Falso. Os efeitos colaterais são leves e temporários, como dor no braço. O benefício, por outro lado, é a prevenção de doenças que matam milhares de pessoas anualmente. Estudos mostram que a vacina pode prevenir cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero.
4. Só quem tem muitos parceiros precisa se vacinar?
Falso. O HPV é extremamente comum e fácil de transmitir. O contato com um único parceiro ao longo da vida já é suficiente para a exposição ao vírus.
5. Como o HPV não tem cura, a vacina não adianta?
Falso. Exatamente por não haver um remédio que elimine o vírus após a infecção, a prevenção é a única arma. A vacina impede que você se torne um portador e transmissor do vírus.
6. Quem já teve HPV não precisa da vacina?
Falso. Existem mais de 200 tipos de HPV. Mesmo que você já tenha sido exposto a um tipo, a vacina protege contra os subtipos mais agressivos e oncogênicos (que causam câncer) que você ainda não teve contato.
7. Estou fora da idade do SUS, não posso tomar?
Depende. O SUS foca na faixa de 9 a 14 anos por ser a estratégia de saúde pública mais eficaz. No entanto, pessoas até 45 anos podem se beneficiar da imunização. Se você está fora da faixa gratuita, consulte um médico sobre a aplicação em clínicas particulares.
8. A vacina foi proibida no Japão?
Não. O governo japonês apenas pausou a recomendação ativa para investigar boatos, o que gerou um aumento nos casos de câncer no país. Após comprovar a segurança, o Japão retomou a recomendação ativa em 2022.
Quem pode se vacinar no Brasil?
Atualmente, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) estabelece as seguintes diretrizes:
- Público-alvo principal: Meninos e meninas de 9 a 14 anos.
- Campanha 2025: Jovens de 15 a 19 anos podem receber a dose única até dezembro.
- Grupos prioritários: Imunossuprimidos, vítimas de violência sexual e outras condições específicas podem se vacinar até os 45 anos (esquema de três doses).
A vacina está disponível gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do país.

