Saúde

Vida sexual, doenças e DNA: veja 8 mitos sobre a vacina do HPV

Entenda ainda por que é falso dizer que ela não funciona fora da faixa etária alvo, que sua eficácia tem relação com vida sexual ou que ela foi suspensa no Japão

Da redação
DA REDAÇÃO

31/01/2026 • 07:51 • Atualizado em 31/01/2026 • 07:51

Mitos e verdades sobre a vacina contra o HPV

Mitos e verdades sobre a vacina contra o HPV

Agência SP

O Papilomavírus Humano (HPV) não é apenas uma infecção comum; ele é o principal responsável por diversos tipos de câncer, como o de colo do útero, ânus, pênis e garganta. Embora a vacinação seja a forma mais eficaz de prevenção, o Brasil ainda luta para atingir a meta de 95% de cobertura vacinal. Em 2024, o índice subiu para 82%, mas a desinformação continua sendo o maior obstáculo para proteger os jovens.

Compartilhar

“A vacina contra o HPV funciona exatamente como usar um capacete”, explica o pediatra Mário Bochembuzio, do Instituto Butantan. “Ninguém espera sofrer um acidente para colocá-lo. A lógica é a mesma: a vacina deve ser aplicada antes do início da vida sexual, quando o sistema imunológico responde melhor”.Mitos e Verdades sobre a vacina do HPV

1. A vacina altera o DNA?

Falso. A vacina utiliza apenas uma proteína da superfície do vírus para "ensinar" o corpo a se defender. Não existe material genético viral (DNA) no imunizante, portanto, é impossível ele interagir com as células humanas ou causar infecção.

2. Ela causa a Síndrome de Guillain-Barré?

Falso. Após a análise de mais de 60 milhões de doses distribuídas mundialmente, a OMS e o comitê global de segurança de vacinas concluíram que não há associação direta entre o imunizante e a síndrome.

3. Causa mais danos do que benefícios?

Falso. Os efeitos colaterais são leves e temporários, como dor no braço. O benefício, por outro lado, é a prevenção de doenças que matam milhares de pessoas anualmente. Estudos mostram que a vacina pode prevenir cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero.

4. Só quem tem muitos parceiros precisa se vacinar?

Falso. O HPV é extremamente comum e fácil de transmitir. O contato com um único parceiro ao longo da vida já é suficiente para a exposição ao vírus.

5. Como o HPV não tem cura, a vacina não adianta?

Falso. Exatamente por não haver um remédio que elimine o vírus após a infecção, a prevenção é a única arma. A vacina impede que você se torne um portador e transmissor do vírus.

6. Quem já teve HPV não precisa da vacina?

Falso. Existem mais de 200 tipos de HPV. Mesmo que você já tenha sido exposto a um tipo, a vacina protege contra os subtipos mais agressivos e oncogênicos (que causam câncer) que você ainda não teve contato.

7. Estou fora da idade do SUS, não posso tomar?

Depende. O SUS foca na faixa de 9 a 14 anos por ser a estratégia de saúde pública mais eficaz. No entanto, pessoas até 45 anos podem se beneficiar da imunização. Se você está fora da faixa gratuita, consulte um médico sobre a aplicação em clínicas particulares.

8. A vacina foi proibida no Japão?

Não. O governo japonês apenas pausou a recomendação ativa para investigar boatos, o que gerou um aumento nos casos de câncer no país. Após comprovar a segurança, o Japão retomou a recomendação ativa em 2022.

Quem pode se vacinar no Brasil?

Atualmente, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) estabelece as seguintes diretrizes:

  • Público-alvo principal: Meninos e meninas de 9 a 14 anos.
  • Campanha 2025: Jovens de 15 a 19 anos podem receber a dose única até dezembro.
  • Grupos prioritários: Imunossuprimidos, vítimas de violência sexual e outras condições específicas podem se vacinar até os 45 anos (esquema de três doses).

A vacina está disponível gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do país.

Tópicos relacionados