
INCA estima quase 78 mil novos casos de câncer de próstata no Brasil, em 2026
Marijana/Pixabay
Na última semana, durante o simpósio sobre tumores urológicos realizado em San Francisco, nos Estados Unidos, dois estudos chamaram a atenção da comunidade científica por trazerem novas perspectivas para o tratamento do câncer de próstata avançado. Os dados foram apresentados no encontro promovido pela American Society of Clinical Oncology, um dos principais fóruns mundiais de discussão em oncologia.
Um dos destaques foi o estudo PEACE-3, que contou com a participação de diversos pesquisadores brasileiros ligados ao LACOG - Latin American Cooperative Oncology Group. A pesquisa demonstrou benefício em sobrevida ao associar um radiofármaco (o rádio-233) ao medicamento enzalutamida em pacientes com câncer de próstata avançado.
A combinação mostrou que integrar terapias com diferentes mecanismos de ação pode potencializar os resultados, ampliando o controle da doença em uma fase em que as opções terapêuticas costumam ser mais limitadas. O ganho de sobrevida observado reforça a importância de estratégias combinadas e da participação ativa do Brasil em pesquisas clínicas internacionais.
Outro dado relevante foi apresentado em um cenário ainda mais desafiador: o da doença refratária, quando o câncer se torna resistente aos tratamentos convencionais. Em um estudo de fase 1 pesquisadores avaliaram uma nova forma de imunoterapia baseada em um T-cell engager, tecnologia que aproxima as células de defesa do organismo das células tumorais para estimular uma resposta imunológica mais direcionada.
Historicamente, o câncer de próstata não vinha apresentando respostas expressivas à imunoterapia tradicional, especialmente nos casos mais resistentes. Por isso, os resultados observados nesse estudo inicial foram considerados bastante promissores, abrindo caminho para novas linhas de investigação e possíveis alternativas para pacientes com doença avançada e poucas opções terapêuticas.
Os dois estudos sinalizam que o tratamento do câncer de próstata segue evoluindo, tanto pela combinação de terapias já disponíveis quanto pelo desenvolvimento de abordagens inovadoras em imunoterapia. Para os pacientes, isso representa a ampliação de possibilidades e a perspectiva concreta de melhores desfechos no futuro próximo.
Dr. Daniel Vargas é médico oncologista no Hospital Sírio-Libanês de Brasília e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer

