
Vírus HPV também está ligado a desenvolvimento do câncer em homens
Julio César Velásquez Mejía/Pixabay
O HPV está profundamente associado ao câncer do colo do útero, mas o impacto do papilomavírus humano vai além dessa relação já conhecida e está diretamente envolvido no desenvolvimento de diversas outras neoplasias que afetam homens e mulheres, muitas vezes cercadas por desinformação e silêncio.
Este vírus sexualmente transmissível é extremamente comum. Existem mais de 200 tipos identificados, sendo que alguns são classificados como de alto risco oncogênico (que causa ou leva ao surgimento de um câncer), principalmente os tipos 16 e 18. São esses subtipos que estão mais associados ao desenvolvimento de tumores.
É importante deixar claro que a infecção pelo HPV não é exclusiva das mulheres. Homens também se infectam, muitas vezes sem saber. Na maioria dos casos, o próprio organismo elimina o vírus espontaneamente. No entanto, cerca de 10% das infecções podem se tornar crônicas. Quando isso acontece, o vírus permanece no organismo por longos períodos e pode desencadear um processo inflamatório persistente que aumenta o risco de transformação celular e, consequentemente, de câncer.
Entre os homens, o HPV está relacionado principalmente aos cânceres de pênis, canal anal e orofaringe. Embora o câncer de pênis seja considerado raro, os tumores de orofaringe associados ao HPV têm apresentado crescimento nas últimas décadas, especialmente entre a população masculina. Hoje, esse já é o tumor relacionado ao HPV mais comum em homens.
Um dos desafios é que a infecção costuma ser assintomática. Muitas pessoas nunca apresentam sinais visíveis. Em alguns casos, podem surgir verrugas genitais, lesões penianas, sangramento anal ou desconforto persistente na garganta. Esses sintomas merecem avaliação médica, pois podem indicar tanto infecção pelo HPV quanto lesões precursoras ou câncer já estabelecido.
Outro problema é o desconhecimento. Muitos homens ainda não sabem que o HPV pode causar câncer neles. Essa falta de informação impacta diretamente na prevenção.
A forma mais eficaz de prevenção é a vacinação. No Brasil, a vacina contra o HPV está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde para meninas e meninos de 9 a 14 anos – e, até pelo menos o fim do primeiro semestre deste ano, para jovens de 15 a 19 anos.
Vacinar os meninos é fundamental não apenas para protegê-los contra infecções persistentes e futuros cânceres, mas também para reduzir a circulação do vírus na população.
O uso regular de preservativos também ajuda a diminuir o risco de transmissão, embora não ofereça proteção absoluta, já que o vírus pode estar presente em áreas não cobertas.
Como vimos, o HPV é um vírus oncogênico. Ele aumenta o risco de câncer e não escolhe gênero. Falar sobre isso é ampliar o cuidado, combater a desinformação e proteger futuras gerações.
Neste 4 de março, Dia Internacional de Conscientização sobre o HPV, reforçamos uma mensagem simples e essencial: HPV não é um problema apenas das mulheres; também é assunto de homens. Informação, vacinação e prevenção salvam vidas.
Dr. Abraão Dornellas é oncologista no Einstein Hospital Israelita e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer

