
No Brasil, o câncer de rim representa cerca de 2% dos tumores em adultos
M. Richter/ Pixabay
Uma nova perspectiva de tratamento para o câncer de rim foi apresentada durante o Congresso Europeu de Oncologia (ESMO 2025). O estudo mostrou que a combinação de dois imunoterápicos (Durvalumabe e Tremelimumabe) pode reduzir em 35% o risco de progressão ou morte em pacientes com tumores renais de alto risco após cirurgia.
Os resultados sinalizam o potencial das terapias imunológicas em oferecer uma proteção adicional contra a recidiva da doença e podem redefinir o padrão de cuidado nesse cenário.
Segundo o oncologista Fernando Maluf, “este estudo reforça que, em pacientes operados de tumor de rim com risco elevado (tumor grande, agressivo ao microscópio, estádio avançado) a imunoterapia adjuvante com dois agentes pode mudar a prática clínica. O mecanismo consiste em estimular o sistema imune e ‘remover a capa’ que permite ao tumor escapar da vigilância imunológica”.
Ele ressalta que “outra vez estamos diante de evidência que vai beneficiar o paciente num cenário clássico: após a cirurgia, reduzir a chance de retorno da doença”.
A pesquisa RAMPART incluiu 790 pacientes divididos em três grupos: observação pós-operatória, tratamento com o primeiro imunoterápico isolado ou com a combinação dos dois medicamentos. No grupo que recebeu a dupla imunoterapia, a sobrevida livre de doença em três anos foi de 78%, em comparação com 61% no grupo apenas observado.
No Brasil, o câncer de rim representa cerca de 2% dos tumores em adultos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Embora não esteja entre os mais frequentes, tende a ser diagnosticado em fases avançadas e tem alto risco de recidiva após a cirurgia, o que torna os resultados desse estudo especialmente relevantes.
Para o oncologista Fernando Maluf, a introdução de imunoterapias abre caminho para uma nova era de cuidado pós-operatório.
"São dois remédios muito eficazes, que vão mudar a prática clínica junto com já uma alternativa estabelecida chamada Pembrolizumabe. Um estudo importante, beneficiando o paciente em primeiro lugar.”.

