
Pacientes veem nas pesquisas clínicas uma oportunidade de contribuir com o avanço da ciência
Darko Stojanovic/Pixabay
Um estudo conduzido por uma equipe brasileira e apresentado no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO 2025), no início deste mês de junho, revelou como pacientes com câncer no Brasil percebem a participação em pesquisas clínicas.
O trabalho “Visão dos pacientes oncológicos sobre pesquisa clínica no Brasil: preocupações, conhecimento e preconceitos – um survey nacional”, foi liderado pela oncologista Heloisa Resende, em parceria com o Instituto Projeto Cura e o Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG), e teve como centro coordenador o Hospital da Fundação Oswaldo Aranha (H.FOA), em Volta Redonda (RJ).
O H.FOA faz parte da Rede Vencer o Câncer de Pesquisa Clínica, iniciativa do Instituto Vencer o Câncer que acompanha e apoia centros comprometidos com a promoção de estudos clínicos em Oncologia no Brasil.
O que a pesquisa revela
O levantamento envolveu 290 pacientes com câncer de todas as regiões do país, alguns já participantes de estudos clínicos, e contou com o engajamento de equipes médicas de diferentes hospitais.
Entre os principais achados está a percepção da importância de receber informações claras e completas sobre o protocolo de pesquisa para decidir pela participação. A maioria dos entrevistados apontou que esse é um fator essencial para se sentir seguro e respeitado no processo. Além disso, os pacientes demonstraram uma visão coletiva positiva sobre a contribuição das pesquisas para o avanço da oncologia, enxergando a participação como uma forma de beneficiar a sociedade.
Apesar da visão favorável em muitos aspectos, o trabalho também revelou desafios. De acordo com Heloisa Resende, “podemos perceber que há ainda, por parte dos pacientes brasileiros, o medo de poder ser tratado como ‘cobaia’ nas pesquisas”. Esse receio, segundo ela, reforça a necessidade de ações educativas e maior transparência sobre como os estudos clínicos funcionam no país.
A médica oncologista destaca que o levantamento reforça a urgência de ampliar o conhecimento da população brasileira sobre o tema. “Portanto, ainda há muito para fazer no sentido de aumentar a conscientização a respeito dos benefícios nas pesquisas clínicas”, afirmou.
O estudo também mostrou que, embora muitos pacientes reconheçam o valor da ciência e da inovação no tratamento do câncer, há falta de informações acessíveis e dificuldades de comunicação entre equipes médicas e pacientes sobre as possibilidades de inclusão em estudos clínicos.
Ao trazer à tona essas percepções, o trabalho se soma a outros esforços para democratizar o acesso à pesquisa clínica no Brasil e garantir que mais pacientes tenham a oportunidade de se beneficiar de terapias inovadoras, com ética, segurança e acolhimento.

