Azeite nacional: Brasil deve bater recorde e atingir 1 milhão de litros
Expansão de olivais na Serra da Mantiqueira e no Rio Grande do Sul impulsiona setor; meta histórica de produção deve ser alcançada até 2026

O Brasil se prepara para um marco histórico no setor de olivicultura: em 2026, a produção nacional de azeite deve atingir, pela primeira vez, a marca de 1 milhão de litros. O avanço é impulsionado pela expansão dos olivais em regiões estratégicas, como a Serra da Mantiqueira e o Rio Grande do Sul.
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Na Serra da Mantiqueira, as expectativas apontam para uma colheita de 200 mil litros. Já no Rio Grande do Sul, estado que lidera o volume nacional, a projeção é de que a produção alcance os 800 mil litros, consolidando o recorde brasileiro no próximo ano.
Produção de alta qualidade em Minas Gerais
Um exemplo desse crescimento está em Minas Gerais, onde fazendas utilizam o cenário das montanhas para produzir azeites premiados. Em uma propriedade na Mantiqueira, a estrutura conta com 8.500 oliveiras, cada uma produzindo, em média, 8 kg de fruto por ano. No total, a fazenda espera colher 60 toneladas de azeitonas, o que resultará na extração de cerca de 6 mil litros de azeite puro.
O processo de extração exige precisão técnica. Segundo produtores locais, o ponto ideal de maturação da azeitona é identificado quando o fruto, ao ser pressionado, libera o óleo com facilidade. Nesse estágio, a máquina consegue extrair entre 10% e 11% de azeite em relação ao peso total do fruto.
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Para garantir o frescor e evitar a oxidação — processo químico que degrada o sabor e as propriedades do produto —, as azeitonas são prensadas no mesmo dia da colheita. Essa agilidade é fundamental para a classificação do óleo como azeite de oliva extravirgem, mantendo a qualidade da varietal grega Koroneiki, uma das mais cultivadas na região.
Desafios climáticos e manejo no campo
Apesar das projeções positivas, a olivicultura enfrenta desafios anuais relacionados ao clima. O excesso de chuva é o principal obstáculo para os produtores. Quando o fruto é colhido debaixo de chuva, ele apresenta um teor de água mais elevado, o que prejudica diretamente a qualidade final do azeite.
Além disso, a chuva em excesso dificulta a logística no campo. O maquinário muitas vezes não consegue acessar as linhas de plantio, e o trabalho manual das equipes de colheita — que chega a mobilizar dezenas de pessoas por propriedade — é interrompido. Esse atraso pode fazer com que o fruto passe do ponto ideal de maturação, comprometendo o rendimento da safra.
