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Agricultores protestam em SP contra trabalho escravo nas lavouras de café

Ato na Avenida Paulista denuncia violações em fazendas de Minas Gerais e pede responsabilidade de grandes corporações globais do setor

Da redação
DA REDAÇÃO

26/01/2026 • 19:02 • Atualizado em 26/01/2026 • 19:02

Produtores de café de Minas Gerais realizam protesto em SP

Produtores de café de Minas Gerais realizam protesto em SP

Rafael Torres

Resumo

Manifestação de trabalhadores rurais do café ocorreu na Avenida Paulista, organizada pela ADERE/MG com apoio de centrais sindicais, para denunciar trabalho análogo à escravidão e exigir fiscalização e responsabilização de empresas globais.

Denúncia de violações de direitos humanos e trabalhistas inclui informalidade, endividamento, ausência de EPIs, alojamentos precários e condições degradantes em fazendas no Sul de Minas Gerais, além da lembrança dos 22 anos da Chacina de Unaí.

Conexão internacional foi estabelecida com greve de baristas nos EUA, e líderes sindicais brasileiros exigiram responsabilidade das empresas, fortalecimento da fiscalização e apoio ao Projeto de Lei 572/22 para garantir direitos humanos na cadeia produtiva.

Trabalhadores rurais das lavouras de café realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira (26), na Avenida Paulista, em São Paulo, para denunciar casos de trabalho análogo à escravidão. O ato ocorreu em frente a uma unidade da Starbucks e foi organizado pela Articulação dos Empregados Rurais de Minas Gerais (ADERE/MG), com apoio de centrais sindicais como UGT e CUT. Os manifestantes reivindicam maior fiscalização trabalhista e a responsabilização de empresas globais por irregularidades em suas cadeias de suprimentos.

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O protesto foca em graves violações de direitos humanos e trabalhistas que ocorreriam especialmente no Sul de Minas Gerais. A região é estratégica para o fornecimento de grãos a marcas globais.

Segundo a ADERE/MG, muitos colhedores ainda enfrentam informalidade, endividamento e falta de equipamentos de proteção individual (EPIs). Também são relatados alojamentos precários e condições degradantes em fazendas que abastecem o setor. A ação também lembrou os 22 anos da Chacina de Unaí. O crime ocorreu em 2004, quando auditores-fiscais do trabalho e um motorista foram assassinados durante fiscalização rural em Minas Gerais.

Conexão internacional

O movimento em São Paulo se conecta à luta de baristas nos Estados Unidos. Trabalhadores da Starbucks Workers United estão em greve desde novembro de 2025. Eles denunciam baixos salários, jornadas imprevisíveis e práticas antissindicais. Para os manifestantes brasileiros, as situações nas cafeterias e nas lavouras fazem parte de um modelo que prioriza o lucro sobre direitos humanos.

Jorge Ferreira Filho, representante da ADERE/MG, destacou que o problema atinge inclusive propriedades com certificações de sustentabilidade. "Quem procura trabalho não merece escravidão. O criminoso tem que ir para a cadeia", afirmou Filho. O dirigente, que já foi vítima de trabalho escravo, defende o Projeto de Lei 572/22. O texto busca criar um marco legal sobre direitos humanos e empresas no Brasil.

Ricardo Patah, presidente da UGT, defendeu que a responsabilidade deve ser compartilhada por toda a cadeia. "É preciso que empresas como a Starbucks assumam responsabilidade pelo que acontece nas plantações", declarou. Para Rubens Fernandes da Silva, vice-presidente do Sinthoresp, a transparência garante segurança jurídica. Ele reforçou que o fortalecimento das instituições de fiscalização é essencial para a dignidade de quem vive do trabalho.

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