
Produtores de café de Minas Gerais realizam protesto em SP
Rafael Torres
Resumo
Manifestação de trabalhadores rurais do café ocorreu na Avenida Paulista, organizada pela ADERE/MG com apoio de centrais sindicais, para denunciar trabalho análogo à escravidão e exigir fiscalização e responsabilização de empresas globais.
Denúncia de violações de direitos humanos e trabalhistas inclui informalidade, endividamento, ausência de EPIs, alojamentos precários e condições degradantes em fazendas no Sul de Minas Gerais, além da lembrança dos 22 anos da Chacina de Unaí.
Conexão internacional foi estabelecida com greve de baristas nos EUA, e líderes sindicais brasileiros exigiram responsabilidade das empresas, fortalecimento da fiscalização e apoio ao Projeto de Lei 572/22 para garantir direitos humanos na cadeia produtiva.
Trabalhadores rurais das lavouras de café realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira (26), na Avenida Paulista, em São Paulo, para denunciar casos de trabalho análogo à escravidão. O ato ocorreu em frente a uma unidade da Starbucks e foi organizado pela Articulação dos Empregados Rurais de Minas Gerais (ADERE/MG), com apoio de centrais sindicais como UGT e CUT. Os manifestantes reivindicam maior fiscalização trabalhista e a responsabilização de empresas globais por irregularidades em suas cadeias de suprimentos.
O protesto foca em graves violações de direitos humanos e trabalhistas que ocorreriam especialmente no Sul de Minas Gerais. A região é estratégica para o fornecimento de grãos a marcas globais.
Segundo a ADERE/MG, muitos colhedores ainda enfrentam informalidade, endividamento e falta de equipamentos de proteção individual (EPIs). Também são relatados alojamentos precários e condições degradantes em fazendas que abastecem o setor. A ação também lembrou os 22 anos da Chacina de Unaí. O crime ocorreu em 2004, quando auditores-fiscais do trabalho e um motorista foram assassinados durante fiscalização rural em Minas Gerais.
Conexão internacional
O movimento em São Paulo se conecta à luta de baristas nos Estados Unidos. Trabalhadores da Starbucks Workers United estão em greve desde novembro de 2025. Eles denunciam baixos salários, jornadas imprevisíveis e práticas antissindicais. Para os manifestantes brasileiros, as situações nas cafeterias e nas lavouras fazem parte de um modelo que prioriza o lucro sobre direitos humanos.
Jorge Ferreira Filho, representante da ADERE/MG, destacou que o problema atinge inclusive propriedades com certificações de sustentabilidade. "Quem procura trabalho não merece escravidão. O criminoso tem que ir para a cadeia", afirmou Filho. O dirigente, que já foi vítima de trabalho escravo, defende o Projeto de Lei 572/22. O texto busca criar um marco legal sobre direitos humanos e empresas no Brasil.
Ricardo Patah, presidente da UGT, defendeu que a responsabilidade deve ser compartilhada por toda a cadeia. "É preciso que empresas como a Starbucks assumam responsabilidade pelo que acontece nas plantações", declarou. Para Rubens Fernandes da Silva, vice-presidente do Sinthoresp, a transparência garante segurança jurídica. Ele reforçou que o fortalecimento das instituições de fiscalização é essencial para a dignidade de quem vive do trabalho.
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