Eleições 2026Contagem regressiva para o 2º turno
0dias
:
00horas
:
00min
:
00seg
Agro

Agricultores protestam em SP contra trabalho escravo nas lavouras de café

Ato na Avenida Paulista denuncia violações em fazendas de Minas Gerais e pede responsabilidade de grandes corporações globais do setor

2 min

26/01/2026 19:02 • Atualizado há 271 dias

Agricultores protestam em SP contra trabalho escravo nas lavouras de café

Trabalhadores rurais das lavouras de café realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira (26), na Avenida Paulista, em São Paulo, para denunciar casos de trabalho análogo à escravidão. O ato ocorreu em frente a uma unidade da Starbucks e foi organizado pela Articulação dos Empregados Rurais de Minas Gerais (ADERE/MG), com apoio de centrais sindicais como UGT e CUT. Os manifestantes reivindicam maior fiscalização trabalhista e a responsabilização de empresas globais por irregularidades em suas cadeias de suprimentos.

Continua depois da publicidade

O protesto foca em graves violações de direitos humanos e trabalhistas que ocorreriam especialmente no Sul de Minas Gerais. A região é estratégica para o fornecimento de grãos a marcas globais.

Segundo a ADERE/MG, muitos colhedores ainda enfrentam informalidade, endividamento e falta de equipamentos de proteção individual (EPIs). Também são relatados alojamentos precários e condições degradantes em fazendas que abastecem o setor. A ação também lembrou os 22 anos da Chacina de Unaí. O crime ocorreu em 2004, quando auditores-fiscais do trabalho e um motorista foram assassinados durante fiscalização rural em Minas Gerais.

Conexão internacional

O movimento em São Paulo se conecta à luta de baristas nos Estados Unidos. Trabalhadores da Starbucks Workers United estão em greve desde novembro de 2025. Eles denunciam baixos salários, jornadas imprevisíveis e práticas antissindicais. Para os manifestantes brasileiros, as situações nas cafeterias e nas lavouras fazem parte de um modelo que prioriza o lucro sobre direitos humanos.

Continua depois da publicidade

Jorge Ferreira Filho, representante da ADERE/MG, destacou que o problema atinge inclusive propriedades com certificações de sustentabilidade. "Quem procura trabalho não merece escravidão. O criminoso tem que ir para a cadeia", afirmou Filho. O dirigente, que já foi vítima de trabalho escravo, defende o Projeto de Lei 572/22. O texto busca criar um marco legal sobre direitos humanos e empresas no Brasil.

Ricardo Patah, presidente da UGT, defendeu que a responsabilidade deve ser compartilhada por toda a cadeia. "É preciso que empresas como a Starbucks assumam responsabilidade pelo que acontece nas plantações", declarou. Para Rubens Fernandes da Silva, vice-presidente do Sinthoresp, a transparência garante segurança jurídica. Ele reforçou que o fortalecimento das instituições de fiscalização é essencial para a dignidade de quem vive do trabalho.

Tópicos relacionados