
Imagem gerada por inteligência artificial
Resumo
O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul apresenta negociações lentas após o encerramento da colheita da safra 2025/26, com setor produtivo e indústria adotando cautela devido à oferta elevada e dificuldade de repassar preços na cadeia.
O direcionamento de volumes para leilões subvencionados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 26 de maio reduziu a movimentação no mercado spot, enquanto compradores permanecem retraídos avaliando o impacto da oferta sobre os preços, e produtores dividem-se entre segurar vendas por preços baixos ou vender para capitalizar diante dos estoques elevados.
A atuação da Conab nos leilões busca garantir preços mínimos e escoar a produção, mas diminui a liquidez das negociações diretas no estado, com expectativa do setor voltada para estabilização da oferta e análise dos efeitos dessas operações sobre a tendência dos preços no curto prazo.
O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul opera em ritmo lento de negociações neste início de junho. Com o encerramento da colheita da safra 2025/26 no estado, o setor produtivo e a indústria demonstram cautela. Essa postura é motivada pela oferta elevada e pela dificuldade em repassar preços ao longo da cadeia produtiva.
De acordo com pesquisadores do Centro de Pesquisas Energéticas e Econômicas (Cepea), o foco dos agentes se voltou para os leilões de apoio à comercialização realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no dia 26 de maio. O direcionamento de parte dos volumes para essas operações subvencionadas acabou por reduzir a movimentação no mercado spot (mercado de pronta entrega com pagamento imediato).
Impacto da oferta e custos de produção
Os leilões da estatal ocorreram justamente em um momento de grande disponibilidade de produto, reflexo da finalização dos trabalhos de campo. Diante desse cenário, muitos compradores permanecem retraídos, avaliando como a oferta de matéria-prima impactará a formação dos preços nas próximas semanas.
Do lado do produtor, observa-se uma divisão de estratégias. Parte dos orizicultores (produtores de arroz) optou por reduzir o ritmo das vendas, por considerar que os patamares atuais de preços não cobrem os custos de produção.
Por outro lado, há produtores que seguem ofertando o cereal. Essa decisão é motivada tanto pela necessidade de capitalização (gerar dinheiro em caixa para pagar dívidas ou investir) quanto pelo grande volume de produto estocado após o fim da colheita.
O papel da Conab no mercado gaúcho
A atuação da Conab por meio de leilões de subvenção visa dar suporte ao escoamento da produção e garantir preços mínimos ao produtor. No entanto, a migração do interesse para essas operações governamentais retira a liquidez (facilidade de transformar o produto em dinheiro) das negociações diretas entre produtores e indústrias no Rio Grande do Sul.
A expectativa do setor agora gira em torno da estabilização da oferta e da capacidade de consumo do mercado interno para absorver a safra recém-colhida. O Cepea reforça que a análise do impacto dessas operações subvencionadas é fundamental para entender a tendência dos preços do arroz no curto prazo.
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