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Brasil exporta 38,5 milhões de sacas de café na safra 2025/26

Receita cambial de US$ 14,595 bilhões é a segunda maior da série histórica, impulsionada pelos preços elevados entre setembro de 2025 e janeiro de 2026

VIVIANE TAGUCHI

15/07/2026 • 17:58 • Atualizado em 15/07/2026 • 17:58

Faturamento do setor com as vendas externas foi a segunda melhor já registrada

Faturamento do setor com as vendas externas foi a segunda melhor já registrada

Foto: Ari Dias | AEN

O Brasil exportou 38,462 milhões de sacas de 60 kg de café, para 125 países, nos 12 meses do ano-safra 2025/26. O volume representa uma queda de 15,7% na comparação com o intervalo de julho de 2024 a junho de 2025. A receita cambial com os embarques teve leve recuo de 1%, atingindo US$ 14,595 bilhões, alcançando o segundo melhor desempenho na série histórica, atrás somente da temporada 2024/25.

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Os dados fazem parte do relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgados nesta quarta-feira (15). A performance no ciclo cafeeiro 2025/26 foi composta pela exportação de 3,060 milhões de sacas e o ingresso de US$ 972,8 milhões em junho deste ano, o que representou alta de 16,9% em volume e recuo de 6% em receita.

Queda nas exportações era esperada

Os números elevaram os embarques de café do Brasil no primeiro semestre de 2026 a 17,831 milhões de sacas, com queda de 8,3% frente ao período de janeiro a junho de 2025. A receita cambial no semestre atingiu US$ 6,534 bilhões, 13,3% inferior ao mesmo período do ano anterior.

De acordo com o presidente do conselho do Cecafé, Márcio Ferreira, a queda nas exportações no ano-safra recém-concluído era aguardada devido à menor disponibilidade do produto. "Após exportações recordes em 2024, os estoques brasileiros reduziram significativamente. Aliado a isso, a safra 2025 foi afetada por adversidades climáticas, o que diminuiu a oferta de café", explica Ferreira.

O executivo completa que os gargalos logísticos no setor portuário brasileiro também impactaram o desempenho dos embarques. "Com infraestrutura defasada nos principais portos do Brasil, vimos pátios abarrotados e muitos atrasos na saída dos navios ao exterior, o que impossibilitou o embarque de centenas de milhares de sacas e gerou prejuízos milionários aos exportadores", comenta.

Além disso, Ferreira recorda que o tarifaço de 50% imposto aos cafés do Brasil pelos Estados Unidos, por cerca de quatro meses, auxiliou na derrubada dos embarques para aquele país em mais de 50% nesse intervalo. De 6 de agosto a 21 de novembro, período de vigência das taxas, as exportações para os EUA despencaram 54,9% na comparação com os mesmos quatro meses de 2024.

"Depois da retirada do tarifaço sobre a maioria dos cafés brasileiros, notou-se a retomada dos negócios, mas, até o momento, o ritmo mais normal dessas transações não foi alcançado em função da instabilidade e das incertezas relativas à política comercial dos EUA", analisa o presidente do Cecafé.

Cafeicultores seguem capitalizados

O presidente do Cecafé agrega que o cenário financeiro dos produtores também impactou o ritmo das exportações na safra passada. "Os cafeicultores estão capitalizados por conta dos bons preços nos últimos anos, assim, diante de estoques limitados no período de entressafra, eles estiveram confortáveis para negociar seu café remanescente aproveitando as melhores oportunidades de mercado, limitando os embarques", revela.

A respeito da segunda melhor receita cambial da história, Ferreira recorda que o valor só não foi o recorde absoluto em função do menor volume embarcado, uma vez que a conjuntura mercadológica foi positiva, em especial com as elevadas cotações internacionais entre setembro de 2025 e janeiro de 2026.

"Além disso, nossos cafeicultores mantêm seus investimentos em tecnologia, inovação e qualidade, o que eleva o patamar dos cafés do Brasil e, consequentemente, o seu valor. O preço médio das exportações na safra passada, de US$ 379,48 por saca, é o maior da história e 17,4% superior ao anterior", fundamenta.

O presidente do Cecafé anota que as incertezas climáticas e o atraso da colheita não propiciaram uma antecipação de vendas por parte do produtor. "No geral, o mercado segue aguardando a evolução da colheita de arábica para entender os números finais, assim como checar a qualidade, parcialmente afetada pelas chuvas, fatores que também serão determinantes para as exportações no ano-safra que se inicia neste mês de julho", conclui.

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