Brasil suspende importação de cacau da Costa do Marfim por risco de pragas
Ministério da Agricultura interrompe entrada de amêndoas do maior produtor mundial para proteger lavouras nacionais de doenças transfronteiriças

O Ministério da Agricultura suspendeu por tempo indeterminado a importação de cacau da Costa do Marfim devido ao alerta de ameaça de pragas na produção daquele país. A medida, anunciada nos últimos dias, funciona como uma barreira cautelar para impedir a entrada de doenças no território brasileiro e garantir a segurança dos produtores rurais nacionais.
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A decisão atende a um pedido direto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A Costa do Marfim é o maior produtor de cacau do mundo, sendo responsável por aproximadamente 40% da oferta global da amêndoa.
Entenda o risco fitossanitário
De acordo com o Ministério da Agricultura, a ação foi tomada após uma visita técnica identificar riscos que o setor produtivo brasileiro não deseja correr. O governo avalia que a chegada de uma nova praga poderia prejudicar todo o trabalho de recuperação da produção nacional e o fortalecimento da imagem do cacau brasileiro no mercado externo.
O setor cacaueiro no Brasil já enfrentou crises severas no passado devido a problemas fitossanitários similares. Por essa razão, a pasta define a suspensão como uma medida cautelar indispensável para a manutenção do status sanitário das lavouras.
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Impacto na indústria e no mercado
Apesar da restrição, a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) apresenta uma visão distinta sobre a necessidade da proibição. A entidade ressalta que o Brasil não é autossuficiente na produção de amêndoas e depende de importações regulares e legais para complementar a demanda industrial.
Especialistas do setor avaliam, contudo, que não deve haver um problema grave de abastecimento no curto prazo. A demanda global segue em baixa, e a indústria nacional possui mecanismos de triangulação para importar amêndoas de outros países africanos.
Preços e cenário para a Páscoa
Mesmo com a suspensão das importações, o consumidor brasileiro já sente o impacto nos preços dos derivados. Com a proximidade da Páscoa, o chocolate chega às prateleiras quase 25% mais caro do que no ano passado.
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Representantes da indústria sugerem que, para proteger o produtor sem punir o setor processador, o governo deveria acionar mecanismos de preço mínimo. Outras sugestões incluem o fortalecimento de políticas de estocagem e a ampliação de linhas de crédito e financiamento para o campo.
