
Etanol volta a ser competitivo após reajustes da Petrobras
José Cruz/Agência Brasil
Resumo
Concentração geográfica do consumo de etanol no Brasil destaca-se por estar limitada a apenas seis estados, que representam 55% dos veículos flex mas consomem 80% do etanol, evidenciando uma disparidade significativa no uso deste combustível no país.
Martinho Seiiti Ono, CEO da SCA Brasil, identifica tanto desafios logísticos quanto oportunidades de expansão no mercado de etanol, atribuindo a desigualdade principalmente à infraestrutura de postos e políticas tributárias; uma reforma tributária e a expansão da produção de etanol de milho são vistas como medidas potenciais para equilibrar essa distribuição.
Produção de etanol de milho mostra crescimento expressivo, com um salto de 31% na safra 2024-2025, alcançando um recorde de 8,19 bilhões de litros, contrastando com a produção de cana que está estagnada há mais de uma década; espera-se que a produção de etanol de milho atinja 10 bilhões de litros anuais no período 2025-2026.
Embora o Brasil possua a maior frota de automóveis flex do mundo, o consumo nacional de etanol hidratado ainda apresenta forte concentração geográfica. Atualmente, 80% do volume comercializado no país se restringe apenas a seis estados – São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que juntos somam 55% do total de veículos flex. Na prática, significa que 45% de veículos bicombustíveis que circulam nos demais 21 estados e no Distrito Federal consomem somente 20% do etanol produzido.
De acordo com Martinho Seiiti Ono, CEO da SCA Brasil, esse desequilíbrio na distribuição e venda revela tanto um desafio logístico quanto uma oportunidade de expansão para o setor. “Fatores como a infraestrutura de postos, a competitividade de preços em relação à gasolina e políticas tributárias regionais explicam parte desta disparidade. Com a reforma tributária prevista para 2027 e a expansão da produção de etanol de milho, a expectativa é que o acesso ao combustível possa se tornar mais amplo em todo o território nacional”, observa.
Potencial de mercado e obstáculos
Segundo Ono, com 78% da frota automotiva composta por modelos flex, apenas 24% abastecem com etanol. “Ou seja, há uma diferença de 54 pontos percentuais, o que representa clara oportunidade de crescimento no consumo de hidratado. Cada ponto percentual de avanço na participação do ciclo Otto significa 850 mil metros cúbicos adicionais. Se a participação subisse de 24% para 30%, o aumento seria de cerca de 5 milhões de litros”, ressalta Ono.
O executivo pontua ainda que o desempenho do consumo do biocombustível em estados como São Paulo, onde a participação no ciclo Otto está acima de 42%, e no Mato Grosso, com mais de 50%, prova que o aumento no uso do hidratado é viável no restante do país: “Em diversas unidades da federação, o renovável não chega a 8% de participação, e muitos postos sequer possuem bombas de etanol”.
Medidas para impulsionar o consumo
Considerada a Reforma Tributária como solução essencial de curto prazo para aumentar a competitividade do biocombustível frente à gasolina, outra aposta é a expansão da produção de etanol de milho, que já começa a chegar a estados não produtores de cana-de-açúcar, reduzindo custos logísticos e ampliando o acesso ao produto. Ono lembra que a produção de cana está estagnada há mais de dez anos, em 600 milhões de toneladas no Centro-Sul e 60 milhões de toneladas no Norte e Nordeste, enquanto o milho apresenta forte crescimento.
Dados da SCA Brasil indicam que na safra sucroenergética 2024-2025, encerrada em março, a produção de etanol de cana caiu 2% (para 26,76 bilhões de litros) em comparação com o ciclo agrícola anterior, mas a de milho garantiu recorde histórico, saltando 31% e atingindo 8,19 bilhões de litros. No período 2025-2026, a expectativa é chegar a 10 bilhões de litros anuais, segundo informações da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM).
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