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Cachaça de alambique impulsiona turismo de experiência no Brasil

Setor atrai visitantes com rotas em engenhos e degustações, enquanto Belo Horizonte se prepara para a 35ª Expocachaça

Da redação
DA REDAÇÃO

03/08/2026 • 15:59 • Atualizado em 03/08/2026 • 15:59

Cachaça está entre as bebidas mais apreciadas do Brasil

Cachaça está entre as bebidas mais apreciadas do Brasil

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A cachaça de alambique ganha espaço no turismo de experiência do Brasil ao transformar propriedades rurais e engenhos em rotas de visitação cultural e gastronômica. Esse movimento ganha destaque entre os dias 6 e 8 de agosto de 2026, com a realização da 35ª Expocachaça no CenterMinas Expo, em Belo Horizonte (MG), evento que reúne produtores, especialistas e compradores do setor.

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A feira prevê movimentar R$ 30 milhões em negócios durante e após a realização na capital mineira. O encontro reunirá cerca de 250 expositores de 18 estados brasileiros e apresentará aproximadamente 2 mil marcas de produtos, insumos e equipamentos.

A organização estima receber um público de 25 mil pessoas ao longo dos três dias de programação. A edição de 2026 ocorre simultaneamente à 19ª Brasil Bier e à 4ª Minas + Doce, o que amplia a integração da bebida com cervejas artesanais e a doçaria mineira.

O crescimento das rotas turísticas reflete a dimensão da cadeia produtiva no país. Dados do Anuário da Cachaça 2025, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), apontam que o Brasil contabiliza 1.266 estabelecimentos produtores da bebida e 7.223 produtos registrados. A produção nacional declarada alcança 292,46 milhões de litros por ano. Há estabelecimentos produtores espalhados por 735 municípios brasileiros, o que demonstra a presença do setor no território nacional.

Minas Gerais lidera o ranking de fabricação com 501 estabelecimentos registrados no órgão federal. São Paulo aparece na segunda colocação nacional, com 179 propriedades registradas, seguido pelo Espírito Santo, que soma 81 locais de elaboração.

A estruturação dos roteiros turísticos acompanha uma mudança no comportamento do consumidor, que busca conhecer a história e a técnica de fabricação. A dinâmica se aproxima do modelo consolidado no enoturismo, focado na construção de repertório e na análise sensorial.

Nas visitas aos alambiques e fazendas, os turistas acompanham as etapas de manejo no canavial e o processo de moagem. O visitante também aprende sobre a fermentação e a destilação no alambique de cobre, equipamento tradicional utilizado para separar as frações da bebida, conhecidas como cabeça, coração e cauda.

A etapa de envelhecimento em madeiras brasileiras adiciona identidade ao destilado artesanal. O uso de espécies nativas como amburana, bálsamo e jequitibá, além do carvalho tradicional, confere aromas e sabores marcantes à bebida antes de chegar ao copo.

Para o idealizador da Expocachaça, José Lúcio Mendes, a feira cumpre um papel direto na formação do público. Ele avalia que a bebida superou barreiras históricas para se consolidar como um destilado nacional de alta qualidade técnica e diversidade sensorial.

O organizador ressalta que o evento foi criado para abrir mercado, aproximar produtores e fortalecer a reputação do setor no país. Na visão de Mendes, o valor da bebida artesanal está na capacidade de apresentar uma narrativa verificável sobre origem, território e processo.

A participação em feiras e roteiros rurais permite conectar a cachaça à gastronomia regional. A combinação com doces artesanais, queijos e pratos típicos gera renda no campo, estimula o empreendedorismo rural e valoriza a cachaça artesanal como patrimônio cultural do Brasil.

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